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A beleza em Portugal ainda não é para todos. Esta maquilhadora explica porquê
Imagem: Facebook
Especialista em pele negra, a maquilhadora Cátia Monteiro queixa-se de um setor da beleza ainda pouco inclusivo em Portugal, com carência de opções de tons, nomeadamente bases mais escuras, e escassas formações especializadas.
A trabalhar no Norte de Portugal, Cátia Monteiro, mais conhecida por Kajukoi, disse, em entrevista à Lusa, que quando fez a sua formação, há 13 anos, não havia forma de se especializar em pele negra, pelo que tomou a iniciativa de, desde há quatro anos, aprender para garantir que sabe trabalhar nestas peles.
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“Eu sou muito apologista que qualquer pessoa que se senta na minha cadeira tem de se sentir bem. E eu, como profissional, não me sentia confortável se não soubesse trabalhar em todos os tons de pele”, contextualizou a maquilhadora do Porto.
Por isso, investiu em cursos ‘online’, principalmente pelo Brasil – que considera ser mais inclusivo nesta questão -, e praticava em modelos.
Todavia, recordou que foi difícil ter modelos de pele negra no Norte de Portugal, mas hoje já tem “bastantes em quem testar técnicas”.
Na sua opinião, qualquer maquilhador deve ser o mais inclusivo possível e deve ser capaz de maquilhar qualquer pessoa: desde pessoas caucasianas, com pele negra ou asiáticas, exemplificou.
Sobre que técnicas de maquilhagem são mais apreciadas pelas suas clientes de pele negra, explicou que, de forma geral, gostam de sobrancelhas marcadas, uma pele bem trabalhada, com um ‘blush’ “vivo” (tons rosados e alaranjados) e “semi-matificada”, pois são peles com tendência mais oleosa.
“No entanto, o ideal é perguntar sempre o que apreciam mais”, acrescentou.
Relativamente ao mercado da maquilhagem em Portugal e às opções disponíveis, Kajukoi salientou que é diferente comprar uma base para uso profissional – que se pressupõe ser de gamas superiores – ou para o uso quotidiano, que por norma são opções mais baratas.
Mas, em ambos os casos – apesar de as profissionais terem mais facilidade em conseguir chegar ao tom certo -, salientou que há, pelo menos no Norte, pouca variedade de tons mais escuros e acaba por fazer muitas encomendas ‘online’.
“No geral, nas lojas em Portugal, mesmo as muito famosas, não existem muitos produtos com opções para pele negra. Se eu fico frustrada, que quero comprar para uso profissional, imagino quem queira comprar para uso pessoal”, lamentou.
No entanto, a especialista frisou que existem marcas portuguesas de cosméticos que têm opções inclusivas.
A existência destes produtos de forma acessível – quer em preço, quer em disponibilidade – tem um impacto positivo na autoestima destas pessoas, que passam a sentir-se mais representadas no mercado, indicou.
“Acho que a inclusão é mesmo o futuro e espero que o mercado se abra e cresça, porque também se não for assim não faz sentido nenhum”, salientou.
Questionada sobre se o facto de ser uma maquilhadora caucasiana especializada em pele negra causava estranheza no primeiro impacto com este ‘target’ de clientes, reconheceu que sim, mas acrescentou ser absolutamente normal, cabendo-lhe a si provar o seu valor e fazer os seus clientes sentirem-se confortáveis.
“Ao contrário a reação seria certamente a mesma”, acrescentou.
Kajukoi vai dando ‘workshops’ sobre esta temática para colmatar a lacuna que sente no mercado e este mês começa a dar formações especificamente sobre pele negra numa escola no Porto a convite de outra maquilhadora portuguesa, Lily Costa Marques.
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