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“A África Austral atravessa um dos momentos mais turbulentos desde as independências”

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A ativista moçambicana Graça Machel disse hoje que os países da África Austral atravessam um dos momentos mais difíceis desde as independências, considerando que as lideranças perderam a conexão com o povo e a pobreza tende a aumentar.

“Estamos a atravessar um dos momentos mais turbulentos. Se levarmos em consideração eventos recentes, vamos notar que estamos perante um coquetel de pobreza regional”, declarou Graça Machel.

Graça Machel falava virtualmente, a partir da África do Sul, durante a sessão de abertura da cimeira organizada pela Rede de Defensores dos Direitos Humanos da África Austral (SAHRDN, na sigla em inglês), que decorre desde hoje em Maputo e junta responsáveis de organizações da sociedade civil dos países da região.

Para a ativista, o impacto da covid-19 associado a negligência dos governos da região, que “perderam a conexão com o povo”, está a elevar os níveis de pobreza regional, principalmente no meio rural.

“Olhem para o número de cidadãos africanos que vão para cama sem comer, mas vivem numa região com capacidade para produzir alimentos e até exportar. A pergunta é o que está a acontecer”, questionou a ativista.

Para Graça Machel, a sociedade civil dos países da região deve juntar-se e, de viva-voz, exigir mudanças, protegendo os mais vulneráveis face a um contexto regional em que as desigualdades tendem a aumentar e regimes autoritários estão a emergir.

“Nós [sociedade civil] somos uma voz forte”, frisou Graça Machel, defendendo um posicionamento conjunto para dizer “não a regimes autoritários na região da África Austral”.

Um posicionamento conjunto por parte das organizações da sociedade civil regionais é condição para impor mudanças, num contexto em que, em alguns países, o medo de pensar diferente reina em todos os setores, com destaque para imprensa e para o ativismo, acrescentou.

 “Nós estamos a falar de uma região em que a maior parte dos países veem de uma luta de libertação [contra regimes coloniais]. São pessoas que um dia estiveram dispostas a morrer pela liberdade. Isto não pode acontecer e, por isso, nós temos de dar as mãos para mudar as coisas”, afirmou a ativista.

Sob o lema “Defendendo os direitos e protegendo as democracias face ao aumento das desigualdades e do autoritarismo”, a cimeira vai decorrer durante dois dias em Maputo, juntando perto de 48 delegados de organizações da sociedade civil da África Austral.

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