Os ventos fortes associados à depressão Kristin arrancaram árvores no parque florestal Manuel Alberto Rei, na Serra da Boa Viagem, embora as autoridades ainda não tenham conseguido avaliar a situação naquele espaço natural da Figueira da Foz.
Durante a manhã de hoje, a agência Lusa constatou que os acessos à zona central do parque florestal, nomeadamente junto ao chamado Canto dos Eucaliptos, Vale dos Cedros, capela de Santo Amaro e miradouro da Bandeira estão cortados ao trânsito.
O corte da circulação foi feito, à saída da povoação da Serra da Boa Viagem, para oeste, por uma fita da Proteção Civil, colocada a toda a largura da estrada. Já nos restantes acessos, quer pela via que passa pelo Abrigo da Montanha, rua Vale de Frades (na povoação de Vais, na encosta sul) ou pela encosta norte, no final da subida de Quiaios, as estradas estão cortadas, sem avisos, por pinheiros ou eucaliptos de médio porte, caídos e atravessados naquelas vias.
Em outubro de 2028, a tempestade Leslie provocou a destruição generalizada de arvoredo na Serra da Boa Viagem, tendo derrubado centenas de árvores, algumas centenárias. A limpeza e restabelecimento do acesso da população àquela zona de lazer demoraram vários meses.
Ouvido pela Lusa sobre a situação da Serra da Boa Viagem, o comandante dos Bombeiros Sapadores da Figueira da Foz, com Nuno Pinto, remeteu informações para a tarde de hoje, na sequência de uma avaliação que deverá ser feita nas próximas horas, também com meios dos sapadores florestais.
Dez estações meteorológicas em Portugal continental registaram na quarta-feira rajadas de vento superiores a 120 quilómetros por hora, tendo a mais intensa atingido os 208,8 km/hora em Degracias, no concelho de Soure.
A rajada máxima associada à depressão Kristin foi registada às 05:40 de quarta-feira na Estação Meteorológica da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra – agora denominada Região Metropolitana de Coimbra – situada no Parque Eólico das Degracias.
Contactada pela Lusa, uma fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) afirmou que esta situação está reportada no seu ‘site’, mas sublinhou que os dados ainda carecem de validação oficial.
A mesma fonte admitiu que a rajada registada em Soure poderá ter sido a mais forte até ao momento, mas ressalvou que poderão existir outras, eventualmente ainda mais intensas.
Observou também que a estação se encontra a 524 metros de altitude, um fator que impacta “muito em termos de vento”.
Pelo menos seis pessoas morreram em consequência da passagem da depressão Kristin por Portugal continental, que deixou um rastro de destruição e causou feridos e desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, Coimbra, Santarém e Lisboa.
A tempestade provocou quedas de árvores e de estruturas, o corte e o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações.