Rui Rio ganha com 54% e promete oposição firme, mas não populista

Notícias de Coimbra | 8 anos atrás em 14-01-2018

Rui Rio foi eleito no sábado líder do PSD com mais de 54% dos votos, derrotando Pedro Santana Lopes e prometeu uma “oposição firme e atenta”, mas “nunca demagógica e populista”, ao Governo do PS.

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No discurso de vitória, no Porto, sua terra natal e que governou de 2001 a 2013, Rui Rio avisou que o PSD “não foi fundado para ser um clube de amigos ou uma agremiação de interesses ou de grupos”.

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Depois do congresso, em fevereiro, onde serão eleitos os órgãos nacionais, o partido iniciará “uma nova etapa”, que passará pela “construção de uma alternativa de governo à atual frente de esquerda que se formou no parlamento”, afirmou.

O ex-autarca do Porto traçou algumas linhas para a sua estratégia de oposição.

“Uma alternativa capaz de dar a Portugal uma governação mais firme e corajosa, capaz de enfrentar os grandes problemas estruturais com que há muito o país se confronta, uma alternativa capaz de reforçar a nossa aposta em Portugal e de nos restituir a vontade, a alma e a esperança”, sublinhou.

Para o interior do partido, Rui Rio afirmou que “há condições de unidade” e garantiu que conta com o seu adversário nas diretas, Pedro Santana Lopes, “como conta com todos os militantes” para os próximos desafios eleitorais.

A 300 quilómetros, em Lisboa, Pedro Santana Lopes reconheceu a derrota, assumiu a responsabilidade pelo resultado e garantiu não abandonar o combate político, utilizando ainda uma frase de Mário Soares: “Só é derrotado quem desiste de lutar.”

“Enquanto viver continuarei a lutar pelo que acredito”, prometeu.

Rui Rio, que foi secretário-geral dos sociais-democratas sob a liderança de Marcelo Rebelo de Sousa, será o 18.º presidente do PSD desde o 25 de Abril de 1974, sucedendo a Pedro Passos Coelho, eleito em 2010.

Segundo os resultados provisórios, Rio, com 22.611 votos e 54,37%, ganhou as eleições diretas com uma vantagem de 3.617 votos sobre Santana, que recolheu 18.974 (45,63%).

Dos 70.622 militantes com quotas em dia, votaram 44.254, o que corresponde a uma taxa de abstenção de cerca de 40%. Registaram-se 440 votos em branco e 229 votos nulos.

Rui Rio venceu em 13 das 23 estruturas do PSD, enquanto Santana Lopes foi o mais votado em 11.

O antigo autarca do Porto venceu em cinco das seis maiores estruturas em termos de votantes e Santana Lopes em apenas uma, na Área Metropolitana de Lisboa, a segunda maior distrital, com 57% dos votos. Em contrapartida, Rio ganhou no Porto, com 58% por cento dos votos, Aveiro, com 62%, Braga, 53,5%, Madeira, perto de 54%, e Vila Real, com quase 66%.

Rui Rio venceu ainda em Bragança, com 58% dos votos, Faro (53,7%), Guarda (52%), Leiria (59%), Santarém (60%), Viana do Castelo (64%) e Viseu (64,5%).

Por seu turno, Santana Lopes venceu em Beja, com 50,7% dos votos, Castelo Branco (55,8%), Coimbra (50,5%), Évora (51%), Portalegre (65,7%), Setúbal (perto de 65%), Lisboa Área Oeste (53%), nos Açores (66%) e nos círculos da Europa (75%) e Fora da Europa (72%), neste último caso tratando-se de dados ainda provisórios.

Nas reações, Paulo Rangel, eurodeputado e adversário de Pedro Passos Coelho em 2010, afirmou que este é “um momento feliz para o PSD”, que saiu vitalizado das eleições diretas.

Para Rangel, Rui Rio “lançou o desafio da construção de uma alternativa real e forte”.

Após a eleição, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, felicitou Rui Rio pela sua eleição para a presidência do partido, desejando-lhe felicidades na liderança da oposição.