Autoridades de saúde alertam para o aumento de casos isolados de sarampo em Portugal, sobretudo associados a pessoas não vacinadas e a uma quebra de adesão à vacinação. Apesar da doença não ser considerada comum no país, especialistas sublinham que a elevado contágio continua a representar risco, especialmente em contextos de baixa imunização.
PUBLICIDADE
A médica Ana Isabel Pedroso explicou à TVI os cuidados a manter por parte da população para se proteger de uma doença outrora erradicada. “Em Portugal não é uma doença muito comum, por isso sabemos exatamente quais são os casos que houveram. Existe vacina para o mesmo desde 1974 no Plano Nacional de Vacinação e, portanto, todos nós temos acesso a ela”.
PUBLICIDADE
A mesma fonte explica que a proteção populacional depende da cobertura vacinal: “temos uma ideia de imunidade de grupo, que existe em Portugal, em que temos uma vacinação entre 95% a 98% contra o sarampo, e, portanto, se nos mantivermos assim, isto não será um problema”.
Sobre os casos recentes, foi referido que há ligação à recusa ou ausência de vacinação: “estes últimos casos que têm aparecido mais têm sido realmente devido a essa resistência à vacinação”.
“A vacinação é feita em duas doses, normalmente aos 12 meses e aos 5 anos”, acrescentando que a imunidade resultante “é forte contra a doença”.
O sarampo é descrito como altamente contagioso: “é de fácil transmissão, é transmitida através de partículas respiratórias de quem está infectado. Uma pessoa consegue infetar cerca de 90% das pessoas que estão à sua volta”.
Os sintomas iniciais podem dificultar o diagnóstico precoce: “o quadro clínico é sobreponível a uma gripe, porque são espirros, febre alta”, surgindo depois as características manchas típicas: “quando vemos as imagens das pessoas doentes têm sempre aquelas manchas que começam da cabeça para o resto do corpo”.
A infeção pode ser transmitida “desde cerca de 4 dias antes até 6 dias após desaparecerem as manchas”.
Entre as complicações mais sérias, destaca-se: “pode dar pneumonia ou encefalite. E são estes dois que conduzem à morte”, podendo também deixar sequelas prolongadas.
O risco é maior em idades mais baixas: “o mais crítico é sempre as crianças que ainda não estão vacinadas, até um ano”.
A prevenção mantém-se centrada na vacinação e em medidas de higiene: “a melhor forma de prevenir é mesmo a vacinação. E manter a higienização, lavar as mãos”.
Em caso de sintomas, é aconselhado evitar deslocações diretas a unidades de saúde: “em vez de se dirigir logo ao serviço de urgência, é contactar realmente o SNS 24”, para reduzir o risco de contágio.
A mesma fonte reforça ainda a importância da vigilância em viagens: “existe a consulta do viajante… o que interessa é nós estarmos vacinados, porque se estivermos vacinados podemos estar em locais onde o sarampo existe”.
As autoridades reforçam que, apesar de Portugal manter elevadas taxas de vacinação, a continuidade da proteção depende da adesão à vacina e da vigilância epidemiológica, sobretudo perante casos importados e resistência vacinal.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE