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Projeto inovador devolve vida a aldeia “quase desabitada” na Serra da Lousã

Notícias de Coimbra | 22 minutos atrás em 07-04-2026

Na aldeia do Xisto da Cerdeira, em plena Serra da Lousã, o projeto Planta do Xisto demonstra como é possível unir agricultura, sustentabilidade e valorização do território.

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Fundado no início dos anos 2000 por António Carlos Andrade, o projeto recuperou terrenos abandonados, criou socalcos produtivos e devolveu vida à paisagem, gerando uma atividade económica sustentável em meio de montanha.

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“Quando cheguei à aldeia, estava quase desabitada. Vi potencial para regenerar a paisagem e criar uma atividade económica que respeitasse o território”, recorda António Carlos Andrade.

Desde então, foram cultivadas plantas aromáticas e condimentares, como alecrim, tomilho, lúcia-lima e hortelã, todas adaptadas ao clima de montanha e cultivadas em socalcos de xisto a cerca de 650 metros de altitude. Os produtos, certificados em modo biológico, incluem infusões, sais aromáticos e doces caseiros.

O trabalho agrícola deu origem ao ERCC – Ecologic Restore Centre Cerdeira, um centro de restauro ecológico que promove a proteção da biodiversidade e da paisagem, através da eliminação de espécies invasoras, plantação de flora autóctone e redução da carga combustível, reforçando a resiliência da aldeia face a incêndios.

“Mais do que produzir plantas, queremos partilhar conhecimento, práticas tradicionais e formas de agricultura que respeitam os ciclos naturais”, explica Andrade.

O projeto foi posto à prova em 2025, quando um grande incêndio devastou 70% da área do ERCC. Graças às barreiras de carvalhos e castanheiros autóctones, plantadas ao longo de duas décadas, as chamas foram travadas, protegendo as casas da aldeia. A produção agrícola continua e o espaço afetado está em recuperação.

Hoje, a Cerdeira não é apenas um local de produção agrícola. É um exemplo de como um trabalho paciente e bem planeado pode transformar uma aldeia, integrando agricultura, restauro ecológico e vida quotidiana. A Planta do Xisto / ERCC mostra que é possível cultivar o futuro com tempo, persistência e respeito pela natureza.

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