Universidade

Descobriram par raro de buracos negros supermassivos prestes a colidir!

Notícias de Coimbra | 3 minutos atrás em 07-04-2026

Uma equipa internacional de investigadores, com a participação da Universidade de Aveiro (UA), detetou pela primeira vez um par de buracos negros supermassivos em órbita muito próxima no centro de uma galáxia. O estudo conta com a coautoria de Héctor Olivares, investigador do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações (CIDMA) da UA, e apresenta evidências diretas de dois destes objetos extremos numa fase final antes de se fundirem.

A descoberta foi feita no núcleo da galáxia Markarian 501 (Mrk 501), localizada na constelação de Hércules. Através de observações em rádio realizadas ao longo de cerca de 23 anos, os cientistas conseguiram identificar dois jatos de partículas — fluxos extremamente energéticos que se deslocam a velocidades próximas da luz — o que indica a presença de dois buracos negros supermassivos em interação.

O trabalho assinado por Héctor Olivares, investigador do CIDMA da UA, em coautoria com Silke Britzen, do Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha, e publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, apresenta a primeira imagem direta de um sistema deste tipo no centro de uma galáxia, confirmando um fenómeno que até agora era apenas previsto por modelos teóricos.

Sabe-se hoje que quase todas as grandes galáxias possuem um buraco negro supermassivo no seu centro, com massas milhões ou até milhares de milhões de vezes superiores à do Sol. No entanto, a forma como estes gigantes cósmicos crescem continua a ser um mistério. Uma das explicações mais aceites é a fusão entre buracos negros, que ocorre quando galáxias colidem e acabam por se juntar numa só.

Até agora, a fase final desse processo — quando dois buracos negros orbitam muito próximos antes de colidirem — nunca tinha sido observada diretamente. No caso de Markarian 501, para além do jato já conhecido, orientado na direção da Terra e por isso mais brilhante, foi identificado um segundo jato com uma orientação diferente, o que o tornava mais difícil de detetar.

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