Saúde

Cigarros eletrónicos ajudam mesmo a deixar de fumar?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 46 minutos atrás em 07-04-2026

Um estudo recente liderado por investigadores da Universidade de Oxford concluiu que os cigarros eletrónicos com nicotina podem ser mais eficazes para deixar de fumar do que os métodos tradicionais, como adesivos ou pastilhas de nicotina, embora continuem a levantar questões sobre outros riscos para a saúde.

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A investigação, publicada na revista Addiction, analisou 14 revisões sistemáticas realizadas entre 2014 e 2023 e elaborou um “Mapa de evidências e lacunas” para identificar áreas que necessitam de mais estudo. Entre estas análises incluiu-se uma revisão Cochrane de 2024, que concluiu que, por cada 100 utilizadores, mais duas a cinco pessoas deixariam de fumar utilizando cigarros eletrónicos do que com terapêutica de substituição de nicotina (TSN), pode ler-se na EuroNews.

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Angela Difeng Wu, investigadora sénior e docente no Nuffield Department of Primary Care Health Sciences, em Oxford, afirma: “As evidências são claras e consistentes em todas as meta-análises que consultámos: os cigarros eletrónicos são eficazes a ajudar as pessoas a deixar de fumar.”

Apesar desta eficácia, o estudo alerta que as provas sobre eventos adversos graves permanecem inconclusivas e que, na maioria dos casos, os efeitos secundários dos cigarros eletrónicos com nicotina não diferem significativamente de outros tratamentos para cessação tabágica. Os investigadores destacam ainda que a falta de dados de longo prazo e a constante evolução destes dispositivos dificultam a definição de políticas e decisões clínicas consistentes.

Embora o uso de cigarros eletrónicos possa reduzir a exposição a substâncias cancerígenas em comparação com o tabaco fumado, os especialistas sublinham que estes dispositivos não são isentos de risco e não devem ser usados por não fumadores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta especialmente para o impacto entre crianças e adolescentes. Estima-se que mais de 100 milhões de pessoas utilizem cigarros eletrónicos globalmente, incluindo pelo menos 15 milhões de crianças entre os 13 e os 15 anos. Etienne Krug, da OMS, afirma: “Os cigarros eletrónicos estão a alimentar uma nova vaga de dependência de nicotina e podem pôr em causa décadas de progressos na luta contra o tabaco.”

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