Política
Óbito de Álvaro Cassuto: Presidente da República destaca “figura de referência na história da música”
O maestro Álvaro Cassuto, que morreu hoje aos 87 anos, foi “um dos grandes criadores e uma figura de referência na história da música e da divulgação musical contemporâneas”, afirma o Presidente da República numa nota de pesar publicada no ‘site’ da Presidência.
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“Clássico, moderno, sofisticado, cosmopolita, apaixonado – tanto como compositor como nas suas escolhas de repertório enquanto maestro, Álvaro Cassuto foi um dos grandes intérpretes e divulgadores da música clássica no nosso país (nomeadamente com a fundação da Nova Filarmonia, mas também com a sua ligação à Orquestra Sinfónica Portuguesa, à Orquestra Metropolitana ou à Orquestra do Algarve)”, lê-se na mesma nota.
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António José Seguro refere que “a sua ligação ao país nunca foi quebrada apesar de uma carreira internacional marcada pela direção de orquestras tão prestigiadas como a Sinfónica de Londres, a Filarmónica da BBC, a Orquestra Nacional de Espanha, a Royal Scottish ou as de Filadélfia, São Petersburgo, Los Angeles, Praga ou Paris”, tendo efetuado “gravações discográficas marcantes [com algumas dessas orquestras], eternizando as suas interpretações de compositores como Marcos Portugal, Domingos Bontempo, Joly Braga Santos, Vianna da Mota ou Luís de Freitas Branco”.
O Chefe de Estado recorda que o maestro foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, manifestando o seu pesar, “mas também a enorme gratidão pela música e pelo trabalho do maestro Álvaro Cassuto, cujo nome ficará registado na memória da música do nosso tempo”.
O maestro e compositor Álvaro Cassuto morreu hoje na sua residência, no Guincho, em Cascais, no distrito de Lisboa.
Nascido no Porto, em 17 de novembro de 1938, Álvaro Leon Cassuto estudou com os compositores Artur Santos (1914-1987) e Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e, em 1960, frequentou os cursos internacionais de Darmstadt, na Alemanha, onde contactou com os compositores Karlheinz Stockhausen, Gyorgy Ligeti e Olivier Messiaen.
Cassuto estudou direção de orquestra com o maestro Pedro de Freitas Branco (1896-1963) e, mais tarde, com Herbert von Karajan (1908-1989), em Berlim, por quem confessava grande admiração. Formou-se em direção de orquestra pelo Conservatório de Música de Viena.
Em 1961, com 22 anos, estreou-se como maestro à frente da Orquestra do Porto. Posteriormente, foi maestro-assistente (1965-1968) e subdiretor (1970-1975) da Orquestra Gulbenkian.
Viveu nos Estados Unidos entre 1968 e 1986, onde desempenhou as funções de maestro e de professor universitário.
Em simultâneo, foi maestro-diretor da Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa, em Portugal, entre 1975 e 1990.
No regresso ao país, em 1988, fundou a Nova Filarmonia Portuguesa, em 1993, esteve na fundação da Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) e, em 2002, criou a Orquestra do Algarve.
Entre 2004 e 2008, foi diretor artístico da Orquestra Metropolitana de Lisboa e, entre 2010 e 2013, dirigiu a Orquestra de Bari, em Itália.
A sua discografia, com mais de três dezenas de álbuns e centenas de obras, privilegia os compositores portugueses.
Álvaro Cassuto é identificado pelo Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, assim como pela crítica especializada, como “um dos mais conceituados” e “o mais internacional” dos maestros portugueses.
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