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O último videoclube de Portugal que recusa desaparecer

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 4 horas atrás em 06-04-2026

Imagem: CINEBLOG e Comunidade Cultura e Arte

Em Montemor-o-Novo, no Alentejo, sobrevive o último videoclube de Portugal, um espaço onde o tempo parece ter parado entre prateleiras recheadas de VHS e DVD’s.

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O proprietário, Laurindo José Valério Garenha, recorda ao CINEBLOG e à Comunidade Cultura e Arte, a história da loja que mantém viva a memória de décadas de entretenimento doméstico: “Eu gostava muito de cinema. E como trabalhava de noite e não havia muitos filmes, pensei: ‘Andei a contar quantos VHS na altura havia e juntei-me com um senhor, meu amigo, e formámos um clube de vídeo'”, disse Laurindo.

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O videoclube é descrito como um “sobrevivente de uma era que já passou”, com o cheiro característico de plástico, papel e borracha. Laurindo lembra que, nos tempos áureos, a loja recebia dezenas de clientes diariamente: “Na altura tinha 20, 30 clientes a entrar e a sair e a alugar 4, 5 filmes por dia. Tinha um senhor que vinha cá, se vinham 20 filmes novos, ele levava 20 filmes novos nesse dia”, explicou.

O fenómeno dos clubes de vídeo, que marcou os anos 80 e 90, tem raízes na evolução tecnológica iniciada nos anos 70. Em 1975, na Alemanha, Eckhard Baum abriu a primeira loja de aluguer de filmes, enquanto a Sony lançava a Betamax, permitindo a gravação doméstica de programas de televisão.

Apesar do declínio, a nostalgia mantém alguns clientes fiéis: “Ainda vendo muitos VHS. Posso dizer que tive aqui um senhor, que é de Sesimbra, que me comprou, na altura, 12 ou 13 filmes VHS. Porque é colecionador. E cria filmes de terror”, revela.

A sobrevivência de clubes de vídeo como o de Montemor-o-Novo levanta questões sobre a preservação da experiência física de escolher e manusear filmes, em contraste com a comodidade do streaming digital. Laurindo conclui: “O grande benefício é o prazer, o gosto de ler a capa, o prazer de mexer no disco ou na cassete. Não há comparação possível. Não há comparação”.

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