Coimbra

Coimbra preocupada com demora na definição de apoios aos municípios

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 02-04-2026

A presidente da Câmara de Coimbra afirmou hoje que irá manifestar a sua preocupação na demora da definição de apoios aos municípios afetados pela tempestade Kristin, durante a Presidência Aberta, alertando ainda para problemas por resolver na agricultura.

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“Há áreas em que estou mais tranquila e noutras onde não estou nada tranquila”, disse à agência Lusa Ana Abrunhosa, referindo que haverá várias questões que a preocupam que irá procurar abordar durante a semana de Presidência Aberta de António José Seguro pela região afetada pela Kristin, que começa na segunda-feira.

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Se no caso da estabilização das margens do Mondego e resposta ao assoreamento do rio, a presidente da Câmara de Coimbra entende que o Governo mostra “sensibilidade e abertura para fazer aquilo que está há décadas para ser feito”, noutras áreas há várias questões que tardam em ficar resolvidas.

“Da parte do Governo, os municípios ainda não sabem que tipo de apoio vão ter. Sabemos que vamos ter apoio, mas não sabemos se é a fundo perdido nem a percentagem”, notou Ana Abrunhosa, considerando que esta questão será ainda mais preocupante para municípios pequenos que têm mais dificuldade em adiantar verbas.

Segundo a autarca, ainda não foi transferida qualquer verba por parte do Governo para ajudar a repor os equipamentos municipais afetados, numa altura em que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) “já tem centenas de milhões de euros”, mas sem indicação do Governo sobre o tipo de apoios que será dado às autarquias.

Para a antiga ministra da Coesão Territorial, já “era altura para os municípios saberem com o que podem contar”, quando já passaram mais de dois meses da passagem da depressão.

Além dessa questão, Ana Abrunhosa continua preocupada com a resposta à agricultura no Baixo Mondego, onde os trabalhos para assegurar a rega dos campos estão a ser feitos, mas faltam medidas para retirar areia resultante da rutura do dique que afetaram os terrenos daquela zona.

“Sei que a própria CCDRC já fez uma visita aos agricultores, mas já passaram meses e continuamos com terrenos agrícolas completamente cobertos de areia”, alertou, notando que a resposta para resolver o problema varia “consoante a entidade” que é abordada (neste caso, CCDRC e Ministério da Agricultura).

“É preciso encontrar uma resposta e não temos tido resposta da CCDRC e do Ministério da Agricultura. Isso é inaceitável nesta fase”, criticou.

Além de nos trabalhos em torno do rio Mondego e da obra hidráulica encontrar bons sinais, Ana Abrunhosa também vê no Ministério da Cultura um “trabalho de proximidade” para se procurar repor os danos no património afetado pelas tempestades.

“Apesar de estarmos muito preocupados, porque são danos muito elevados em património da UNESCO e em situações com proprietários públicos e privados, a preocupação é atenuada porque temos tido um acompanhamento grande do Ministério da Cultura”, notou.

Além disso, Ana Abrunhosa entende que esta Presidência Aberta de António José Seguro também poderá ser uma oportunidade para se refletir sobre a preparação das cidades para eventos climáticos extremos, com planeamento a longo prazo que também assegure mais espaços verdes e melhor mobilidade coletiva.

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