Região

Góis dá passo decisivo na limpeza da rede florestal

Notícias de Coimbra | 43 minutos atrás em 01-04-2026

O concelho de Góis recebeu a visita de acompanhamento aos trabalhos de desobstrução da rede viária florestal, fortemente afetada pela passagem da tempestade Kristin.

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A iniciativa contou com uma passagem pela zona da Aigra Velha, que tem concentrado diversas operações nos últimos anos. Com cerca de 100 hectares intervencionados, esta área é um “cluster” de referência em boas práticas de prevenção e mitigação de incêndios rurais.

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No total, dos 1.090 quilómetros de rede viária florestal existentes no concelho, cerca de 400 quilómetros foram afetados, o que representa aproximadamente 37 por cento da extensão total. As áreas mais atingidas incluem a freguesia de Alvares, com 130 quilómetros, a freguesia de Góis e a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, ambas com 120 quilómetros, e ainda Vila Nova do Ceira, com 30 quilómetros.

Após a tempestade, os serviços municipais procederam ao levantamento e mapeamento das áreas afetadas, permitindo uma resposta mais célere e estruturada. Entre os principais constrangimentos registados destacam-se a obstrução das vias devido à queda de árvores e os danos no pavimento, dificultando o acesso a várias zonas florestais.

Para fazer face à situação, o Município de Góis, em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RMC), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e outras entidades locais, definiu um plano operacional estruturado em três fases. A primeira fase incidiu nos pontos mais críticos, nomeadamente na rede viária florestal principal.

Os trabalhos realizados tiveram como prioridade garantir o acesso a terrenos com grande quantidade de arvoredo derrubado, material que representa um elevado risco de incêndio rural com o fim do inverno. As intervenções já realizadas são fundamentais para garantir o acesso aos terrenos, permitindo operações de gestão florestal como o corte, a remoção e o transporte de material lenhoso afetado.

Atualmente, cerca de 80 por cento das vias florestais afetadas de Góis já se encontram desobstruídas. Os restantes 20 por cento dizem respeito a troços da rede complementar. Neste contexto, o presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, sublinhou a urgência de prosseguir com as intervenções: “é necessário agora mitigar o risco de incêndio nas zonas afetadas pela queda de árvores, aproveitando o trabalho já avançado em Góis, onde mais de 80% da rede viária florestal já foi intervencionada, graças à coordenação entre várias entidades.”

Presente na visita, o Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, destacou a necessidade de acelerar a resposta no terreno e apoiar as comunidades: “o que nós queremos é garantir que os proprietários possam limpar os seus terrenos neste período, com apoio financeiro, e que, nas zonas críticas, a intervenção seja feita de forma rápida e priorizada, porque incêndios podem acontecer e estas áreas têm de ter respostas mais eficazes.”

No âmbito da visita ao “cluster” de boas práticas, foram observadas áreas preparadas para a realização de ações de fogo controlado, bem como o trabalho de equipas de sapadores florestais no terreno. Foi ainda demonstrada a utilização de um robô florestal, que se encontrava a realizar operações de manutenção de mosaicos de gestão de combustíveis.

Os participantes verificaram também uma rede primária de faixas de gestão de combustível que, em agosto de 2025, teve um papel determinante na interrupção da progressão do incêndio, evidenciando a importância e a eficácia deste tipo de infraestruturas preventivas.

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