Questionar o conceito de exposição, repensando ideias como relação, encontro e transformação, é o objetivo da Anozero’26 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, que começa a 11 de abril, envolvendo meia centena de artistas e coletivos.
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Com curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, a que se junta Daniel Madeira, a iniciativa desenvolve-se em vários espaços da cidade sob o tema “Segurar, Dar, Receber” e a partir do termo proto-indo-europeu “ghabh”, que está na origem da palavra “habitat”.
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É o ponto de partida para “explorar as ideias de segurar, dar e receber como gestos fundamentais da experiência artística e social”, revelou hoje a organização.
“Esta bienal é para nós uma oportunidade não apenas para apresentar trabalho que consideramos relevante, mas também para questionar o que é uma exposição, enquanto lugar que acolhe arte, arquitetura, pessoas e ideias”, antecipa Hans Ibelings, citado em comunicado da Anozero’26.
Segundo o curador, arte e arquitetura são disciplinas que se assumem como relevantes nesta edição, sendo ponto de partida do olhar “para as sobreposições entre exposição e habitat”, que “partilham a mesma raiz etimológica, significando segurar, dar e receber”.
Mais do que um dispositivo expositivo, a Anozero’26 “torna-se um espaço onde artistas e públicos entram numa relação ética, intelectual e emocional”, antecipa John Zeppetelli, contribuindo para tal “obras que abordam memória, testemunho, luto, extração e resistência”.
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, na margem esquerda do Mondego constitui-se, uma vez mais, como núcleo central da bienal, assumindo-se como um interlocutor ativo, antecipa a organização.
Para Hans Ibelings, esta relação entre espaços e obras intensifica “relações de reciprocidade”, a partir de “o interior e o exterior, a arquitetura e as intervenções artísticas”, se articulam em relações de reciprocidade”.
John Zeppetelli encara o Mosteiro “não é apenas um contentor, mas um interlocutor ativo”, cujos espaços seculares são reativados pelas obras contemporâneas. “Um lugar de escuta onde passado e presente coexistem”, acrescenta.
Noutros pontos de Coimbra, a bienal faz da cidade participante de um exercício que fomenta nos seus espaços novos significados e narrativas, que se prolongam “para além da exposição”, diz Zeppetelli.
“Cada localização pode ser experienciada individualmente, encontrando o seu lugar no mapa mental de cada visitante”, acrescenta Hans Ibelings.
Ambos os curadores ambicionam contribuir com a intervenção na Anozero’26 para “uma transformação sensível e coletiva”.
Hans Ibelings sugere que algumas intervenções poderão “ter continuidade após a bienal”, mas deseja, sobretudo, que as experiências vividas “permaneçam na memória”.
John Zeppetelli acredita que o impacto mais duradouro será “uma intensificação da capacidade de atenção”, criando no público” novas formas de escuta, solidariedade e imaginação”.
Envolvendo mais de meia centena de artistas e coletivos e sob o tema “Segurar, Dar, Receber”, a Anozero’ 26 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, decorre de 11 de abril a 05 de julho, em diversos espaços da cidade, com entrada livre.
É promovida pelo Círculo de Artes Plásticas, em colaboração com a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra.
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