Portugal

Carro parado transforma-se em armadilha fatal. Morre com 90% do corpo queimado

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 21 minutos atrás em 01-04-2026

Maria Augusta, de 56 anos, e residente em Sobrado, Valongo, morreu esta terça-feira, 31 de março, na sequência de uma explosão ocorrida na manhã de segunda-feira, dia 30, numa garagem junto à sede da Junta de Freguesia local.

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A vítima tinha sido transportada em estado crítico após ter sofrido queimaduras em cerca de 90% do corpo.

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Segundo o Jornal de Notícias, a explosão terá resultado de negligência no manuseamento de combustível para abastecer um carro que se encontrava estacionado há algum tempo na garagem. O incidente gerou rebentamentos e fumo intenso, obrigando os vizinhos a agir para impedir que as chamas se propagassem às habitações próximas.

A vítima conseguiu, ainda que com dificuldade, sair da garagem até à rua, sendo já vista com o corpo gravemente queimado. Foi assistida no local antes de ser transportada para o hospital. A GNR e a Polícia Judiciária estiveram no local a investigar as circunstâncias do acidente.

Embora a explosão tenha sido atribuída ao combustível do carro, especialistas, citados por aquele jornal, alertam que um veículo parado durante muito tempo não explode espontaneamente. A divulgadora científica Emily Grossman explicou à BBC que uma explosão requer “gás inflamável quente num espaço confinado, oxigénio e uma fonte de ignição”. Segundo Grossman, a gasolina ou gasóleo no depósito produz vapores inflamáveis, mas não explode por si só — queima apenas quando há uma fonte de ignição, dá conta o mesmo jornal.

O risco de explosão devido a um carro estacionado com combustível é, portanto, baixo, mas não inexistente. A Associação Automobilística Americana (AAA) alerta que o combustível envelhecido perde qualidade, oxida e vaporiza, podendo afetar o funcionamento do veículo. O Royal Automobile Club (RAC) do Reino Unido recomenda o uso de estabilizadores de combustível ou a drenagem adequada do depósito para períodos prolongados de imobilização, prevenindo corrosão e degradação.

O Comando Territorial da GNR de Castelo Branco, citado pelo Notícias ao Minuto, esclarece que, em arrecadações, é permitido armazenar até 10 litros de gasolina (95 ou 98) e até 20 litros de gasóleo, sempre com cuidados para evitar fugas e fontes de ignição.

Deixar o depósito vazio também apresenta riscos: as selagens podem secar ou rachar, provocando fugas quando o veículo for novamente utilizado. Se o combustível tiver de ser transportado, a lei portuguesa limita a quantidade a 60 litros por veículo particular, devendo ser sempre em recipientes homologados.

O combustível envelhecido perde rendimento e acumula impurezas, podendo prejudicar os componentes do veículo. A AAA indica que a gasolina se deteriora em três a seis meses, enquanto o gasóleo pode durar de seis a 12 meses, dependendo das temperaturas. Além do combustível, outros elementos do veículo — como lubrificantes, pneus, travões e baterias — podem ser afetados pelo longo período de inatividade.

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