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 Israel devolve cartas não abertas enviadas por sobreviventes dos bombardeamentos atómicos no Japão

Notícias de Coimbra com Lusa | 37 minutos atrás em 01-04-2026

Imagem: DR

 A coligação de organizações Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares afirmou hoje que Israel devolveu cartas não abertas enviadas por sobreviventes dos bombardeamentos atómicos no Japão a pedir moderação na atual ofensiva sobretudo perto de instalações nucleares iranianas.

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“A guerra ilegal contra o Irão, travada por Israel e pelos Estados Unidos, dois países com armas nucleares, visou instalações nucleares, o que representa um risco de contaminação radiológica e um potencial desastre humanitário”, denunciou a coligação de organizações vencedora do Prémio Nobel da Paz 2017.

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A organização observou que, em resposta a esta situação, as entidades que representam os sobreviventes do bombardeamento atómico norte-americano de Nagasaki, em 1945, enviaram uma carta à embaixada israelita em Tóquio, instando Israel a exercer moderação na sua guerra contra o Irão.

No entanto, os órgãos de imprensa japoneses noticiaram que os correios devolveram a carta ainda fechada.

Entre os signatários estava Shigemitsu Tanaka, presidente do Conselho de Sobreviventes da Bomba Atómica de Nagasaki, a filial local da Nihon Hidankyo, a confederação japonesa de organizações de vítimas de Hiroshima e Nagasaki, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2024 pela sua campanha a favor da abolição de armas nucleares.

Mais de 360.000 sobreviventes registados no Japão sofreram efeitos imediatos e a longo prazo destas bombas atómicas, como doenças causadas pela radiação, cancro e discriminação social.

Muitos deles e os seus descendentes têm-se dedicado, desde então, à promoção da paz mundial e à abolição nuclear.

A diretora executiva da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares, Melissa Parke, realçou que estas associações de sobreviventes sabem, por experiência própria, o que as armas nucleares e a radiação podem fazer aos seres humanos e “merecem respeito, incluindo por parte do Governo israelita, que deveria ouvi-los e agir em conformidade”.

A organização referiu que várias outras organizações da sociedade civil japonesa relataram que as suas petições enviadas à missão diplomática israelita no Japão também foram devolvidas sem serem abertas.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão bloqueou quase totalmente o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque. 

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