Justiça

Depoimentos inéditos: Gémea de Mónica Silva quebra silêncio e revela que Fernando Valente “a iludia”

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 31-03-2026

Imagem: Facebook

O programa Investigação CM desta segunda-feira, 30 de março, revelou depoimentos inéditos de Sara Silva e Manuel Valente no julgamento relacionado com a morte de Mónica Silva.

PUBLICIDADE

As declarações, prestadas à porta fechada, permitem reconstruir a relação entre a vítima e Fernando Valente, principal suspeito desde o início do processo, mas até agora absolvido.

PUBLICIDADE

O desaparecimento de Mónica Silva, grávida de 7 meses, chocou o país. Preparava-se para ser mãe quando desapareceu sem deixar rasto. Desde o primeiro momento, a Polícia Judiciária suspeitou de homicídio. Fernando Valente foi detido e julgado, mas acabou absolvido pelo Tribunal de Aveiro, decisão que gerou forte indignação na família e na opinião pública. O Ministério Público recorreu, e o Tribunal da Relação do Porto contestou a sentença.

Entre os depoimentos agora divulgados por aquele jornal, destaca-se o de Sara Silva, irmã gémea de Mónica e considerada a sua confidente mais próxima. Em tribunal, Sara afirmou que a irmã estava emocionalmente envolvida com Fernando Valente, acreditando na relação e idealizando um futuro ao lado dele. “Eles estavam sempre juntos; ele iludia-a”, contou a irmã, sublinhando que Mónica não via a relação como passageira, mas investia-se profundamente nela.

O recurso do Ministério Público, a que o CM teve acesso, critica duramente a absolvição, defendendo que a sentença deve ser revertida e que Fernando Valente deve ser condenado à pena máxima. Manuel Valente, pai do arguido, é também citado no recurso por ter alterado a sua versão dos acontecimentos entre a fase de inquérito e o julgamento, fragilizando a defesa.

O caso mantém-se particularmente complexo devido à ausência do corpo de Mónica e do feto que transportava, tornando impossível determinar com precisão a causa da morte. No entanto, o recurso do Ministério Público argumenta que esta circunstância não impede que se estabeleça a autoria dos factos, com base nos indícios reunidos.

A família de Mónica Silva nunca aceitou a absolvição de Fernando Valente. Na altura da decisão, manifestaram lágrimas, revolta e desespero, mantendo a esperança de que a justiça ainda possa ser feita. Do ponto de vista legal, o feto não adquiriu personalidade jurídica, pelo que a lei não o enquadra como vítima de homicídio, sendo o caso tratado sob a figura do aborto.

Apesar das dificuldades da investigação, a ausência do corpo não impede a possibilidade de condenação. Casos anteriores em Portugal já demonstraram que é possível julgar e condenar suspeitos com base na consistência das provas e nos indícios reunidos. A esperança da família agora está concentrada no Tribunal da Relação do Porto, que poderá alterar o desfecho deste processo.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE