O concelho de Soure prepara-se para viver intensamente a quadra pascal com um programa que combina celebrações religiosas, encenações populares e momentos de convívio comunitário.
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Entre rituais ancestrais, festas tradicionais e manifestações culturais únicas, a Páscoa afirma-se como um dos períodos mais marcantes da identidade local.
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Um dos momentos mais aguardados acontece no Domingo de Páscoa, às 15:00, em Vila Nova de Anços, com o tradicional Enterro do Judas. Esta representação popular, semelhante ao conhecido “Enterro do Bacalhau”, assume a forma de uma farsa pública onde Judas é julgado e condenado perante a comunidade.
O espetáculo envolve várias personagens — juiz, advogados de acusação e defesa, viúva, mãe do Judas, padre e o Diabo — que percorrem as ruas recitando textos satíricos. A encenação culmina com a leitura do testamento do Judas, repleto de versos irónicos dirigidos a habitantes da localidade, seguindo-se a queima simbólica dos bonecos que representam o acusado e o Diabo.
Na segunda-feira de Páscoa realiza-se a tradicional Festa de Nossa Senhora dos Remédios, no monte da Senhora dos Remédios, em Vila Nova de Anços. A celebração junta momentos religiosos, animação popular, gastronomia regional e o habitual piquenique pascal, que reúne famílias e visitantes num ambiente de confraternização, dá conta a Turismo Centro de Portugal.
Nos dias 5 e 6 de abril decorre a Solenidade do Senhor dos Passos, com celebração de missas e procissões que percorrem as ruas da localidade, proporcionando momentos de reflexão e devoção para a comunidade.
As tradições religiosas prolongam-se também através da Visita Pascal, ainda preservada em várias localidades do concelho. As entradas das casas são ornamentadas com ramos de alecrim e rosmaninho para receber o sacerdote e a comitiva, num ritual de bênção familiar acompanhado por mesas preparadas com folar, pão-de-ló, arroz doce e outros doces típicos.
O Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, mantém igualmente forte adesão, sendo tradição levar à igreja ramos de oliveira e ervas aromáticas para serem benzidos durante a Eucaristia.
A troca de presentes entre padrinhos e afilhados permanece como um dos costumes mais simbólicos da época. Antigamente, os afilhados ofereciam flores e recebiam amêndoas ou o tradicional folar — bolo pascal à base de ovos e leite, frequentemente decorado com ovos inteiros — tradição que ainda hoje se mantém, adaptada às realidades atuais.
Sete semanas após a Páscoa, a localidade do Espírito Santo acolhe a Festa em Honra do Divino Espírito Santo, uma das celebrações mais emblemáticas do concelho. O destaque vai para o icónico Ramo de Pinhões, uma estrutura com cerca de dois metros de altura decorada com pinhões, flores, fitas, bolos e a simbólica pomba branca.
A preparação do ramo mobiliza a comunidade durante vários meses, desde a recolha das pinhas até à ornamentação final. Transportado em procissão por jovens da localidade, o ramo simboliza união, fé e trabalho coletivo, sendo posteriormente desmanchado e partilhado pelos participantes.
Entre encenações populares, celebrações religiosas e tradições familiares, Soure apresenta-se como um destino onde a Páscoa continua a ser vivida com autenticidade, preservando práticas culturais transmitidas de geração em geração e convidando visitantes a participar numa experiência profundamente enraizada na cultura da Região Centro.
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