Saúde

Cientistas usam ADN no sangue para antecipar risco de recaída de doença letal

Notícias de Coimbra | 3 horas atrás em 28-03-2026

Os fragmentos de ADN tumoral no sangue de pacientes com cancro da mama podem ajudar a prever o risco de recaída da doença, segundo um estudo internacional que incluiu 81 utentes, apresentado na sexta-feira, em Espanha.

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“Já sabemos que o ADN tumoral circulante [no sangue] tem relevância prognóstica e a sua deteção está consistentemente associada a um maior risco de recorrência e a uma menor sobrevivência,” disse a oncologista Elisa Agostinetto, também investigadora no Instituto Jules Bordet, em Bruxelas (Bélgica), na apresentação, citada numa notícia da Europa Press.

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De acordo com o estudo, apresentado na XV Conferência Europeia de Cancro da Mama (sigla original, EBCC15), em Barcelona, Elisa Agostinetto acrescentou que a presença de fragmentos de ADN tumoral no sangue pode indicar que o cancro vai voltar meses antes de aparecer qualquer sinal clínico ou sintomas.

Os fragmentos de ADN tumoral podem ajudar a prever o regresso da doença, especialmente quando as amostras são recolhidas após os tratamentos pré-cirúrgicos (procedimentos, exames e cuidados realizados antes de uma cirurgia).

Elisa Agostinetto disse que os resultados do ADN tumoral no sangue podem ajudar a orientar decisões de tratamento após a terapia neoadjuvante (tratamentos oncológicos como quimioterapia, radioterapia ou hormonoterapia, administrados antes da cirurgia), alertando que esta abordagem ainda precisa de ser testada em ensaios clínicos.

De acordo com os investigadores, os fragmentos de ADN tumoral no sangue “podem ser úteis” para identificar as utentes com maior risco após a terapia neoadjuvante e para orientar o tratamento subsequente, se necessário.

Para realizar a pesquisa foram recolhidas amostras de sangue de 81 mulheres com cancro da mama, em fase inicial, no Instituto Jules Bordet e no Instituto Nacional do Cancro, em Milão (Itália).

As mulheres tinham entre os 27 e os 75 anos e a maioria apresentava tumores com menos de cinco centímetros que se tinham espalhado para os gânglios linfáticos (estruturas espalhadas pelo corpo essenciais para o sistema imunitário).

Os investigadores recolheram amostras de ADN tumoral no sangue quando as doentes entraram nos estudos e antes de iniciarem o tratamento neoadjuvante.

Os especialistas recolheram amostras também no final do tratamento e antes da cirurgia.

Segundo a Europa Press, foram ainda recolhidas amostras durante o acompanhamento das doentes, que durou aproximadamente sete anos.

Durante este período, uma doente faleceu sem que a doença voltasse, 21 mulheres tiveram recaída e quatro morreram após o regresso da patologia.

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