Educação

Coimbra: Estudo aponta obstáculos na conciliação pessoal e laboral de professores de enfermagem

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 horas atrás em 27-03-2026

Um investigador da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) constatou que os professores desta área têm uma moderada ou boa qualidade de vida no trabalho, embora percecionem certos constrangimentos em conciliar a vida profissional e pessoal.

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No âmbito de um estudo, desenvolvido pelo investigador da ESEUC José Hermínio Gomes, foram inquiridos 183 professores de enfermagem em exercício em instituições de ensino superior portuguesas de todo o país, incluindo o continente e as regiões autónomas.

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Na investigação, que serviu de base à tese de doutoramento do responsável, a dimensão “relação casa-trabalho”, relativa à conciliação entre vida familiar e profissional, apresentou um valor médio de 3,58 (numa escala de 1 a 5), revelou hoje a ESEUC, num comunicado enviado à agência Lusa.

O valor é considerado “moderadamente positivo” e “é inferior aos de outras dimensões, como a de ‘bem-estar/satisfação no trabalho’, avaliada pela mesma escala ‘Work-Related Quality of Life’ com um valor médio de 3,77”.

Segundo o docente da ESEUC, o equilíbrio entre vida profissional e familiar aparece no estudo “como um dos fatores mais críticos”, sendo “referido por uma percentagem significativa da amostra como um constrangimento relevante no quotidiano profissional”.

Entre os impactos mais reportados pelos docentes, estão a fadiga física e mental persistente (associada à acumulação de funções e à extensão do tempo de trabalho para além do horário formal), níveis elevados de stresse (decorrentes da pressão organizacional, prazos e responsabilidades múltiplas), dificuldades na recuperação e no descanso (com interferência direta na vida pessoal e familiar) e perceção de diminuição da capacidade para o trabalho, nomeadamente ao nível da energia, concentração e desempenho esperado.

Para o investigador, “a conciliação trabalho-família não depende de uma única medida, mas de um alinhamento entre políticas institucionais, práticas de liderança e estratégias individuais”.

“Com prudência científica e metodológica”, o docente afirmou que “existe uma relação sustentada entre o bem-estar dos professores de Enfermagem, a qualidade dos processos formativos e, de forma indireta, a qualidade futura dos cuidados de saúde”.

José Hermínio Gomes constatou também que a capacidade para o trabalho dos docentes de enfermagem resulta da interação entre fatores individuais e organizacionais, e reflete o efeito cumulativo das exigências profissionais ao longo da carreira.

Esta capacidade de laboração diminui de forma mais evidente a partir dos 50 anos, tornando-se mais expressiva após os 55 anos.

Por faixas etárias, é entre os “docentes em fases intermédias (40-55 anos de idade) e com vínculo estável” que “a carga de trabalho e a pressão organizacional assumem maior impacto”, esclareceu o professor da ESEUC, responsável na instituição pelo curso pós-graduado em Enfermagem do Trabalho.

Isso ocorre “devido à acumulação de funções de ensino, investigação, supervisão clínica e, frequentemente, responsabilidades de gestão”.

Os docentes mais jovens, por outro lado, “tendem a experienciar pressão, sobretudo associada à progressão na carreira e à estabilidade profissional”.

Já as exigências emocionais são transversais, “mas com maior impacto nos docentes diretamente envolvidos na supervisão de estudantes em contexto clínico”.

A tese de doutoramento de José Hermínio Gomes foi defendida no início de março, na Universidade Católica, no Porto.

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