Justiça
Dorme ao lado do corpo do “amigo” durante 2 dias. Transporta cadáver em carro de mão, enterra-o e espalha sementes no local
Imagem: CMTV/ DR
Um homem, de 58 anos, acusado de matar o companheiro e esconder o corpo num terreno em Lourosa, no concelho de Santa Maria da Feira, negou esta quinta-feira, 26 de março, em tribunal, qualquer responsabilidade na morte, garantindo que encontrou a vítima já sem vida e que apenas decidiu enterrá-la vários dias depois.
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Na primeira sessão do julgamento, que decorre no Tribunal de Santa Maria da Feira, o arguido, Alcides Silva, responde pelos crimes de homicídio e profanação de cadáver. Durante o depoimento, rejeitou ter provocado a morte de Manuel Costa, ocorrida em abril de 2025, afirmando que a relação entre ambos era apenas de amizade, contrariando a versão do Ministério Público, que sustenta a existência de uma relação amorosa.
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Segundo explicou ao coletivo de juízes, a vítima frequentava frequentemente a sua casa para conversar e desabafar. O arguido admitiu ter utilizado o cartão bancário de Manuel Costa após a morte, mas assegurou que este lhe tinha sido entregue voluntariamente para realizar compras antes do alegado óbito, pode ler-se no Jornal de Notícias.
Relata o momento em que regressou a casa depois de sair para um café e para o supermercado, afirmando ter encontrado o amigo imóvel na cama. Disse ter percebido que algo estava errado ao notar que o corpo estava frio e rígido, acrescentando que a vítima tinha uma abraçadeira de plástico apertada no pescoço. Sem saber explicar o que teria acontecido, contou que cortou o objeto com uma tesoura.
O arguido afirmou ainda ter tentado pedir ajuda aos vizinhos, sem sucesso, justificando não ter contactado o 112 por não possuir telemóvel com cartão ativo. Segundo o próprio, acabou por permanecer na habitação, onde terá dormido ao lado do cadáver durante cerca de 36 horas. Referiu que, nesse período, estava sob efeito de medicação e consumiu grandes quantidades de álcool.
A decisão de retirar o corpo surgiu apenas posteriormente. Descreveu ter arrastado o cadáver durante várias horas até ao exterior da casa, transportando-o num carro de mão até uma cova já existente no quintal, que disse destinar-se à construção de um lago. Antes do enterro, afirmou ter coberto o rosto da vítima e, depois, espalhado sementes e plantas no local.
Questionado sobre o motivo para ocultar o corpo, respondeu de forma vaga, atribuindo a atitude ao consumo de álcool. Ao longo do interrogatório, manteve sempre a negação de qualquer confronto físico com Manuel Costa.
Já a acusação do Ministério Público apresenta uma versão distinta. De acordo com o processo, citado por aquele jornal, a morte terá ocorrido após uma discussão violenta na residência do arguido, alegadamente motivada por conflitos no relacionamento entre os dois homens. A acusação sustenta que Manuel Costa foi asfixiado e posteriormente enterrado no quintal, a pouca profundidade, numa tentativa de ocultar o crime.
Os investigadores defendem ainda que, após o enterramento, o arguido tentou despistar suspeitas, deixando um bilhete num café frequentado pela vítima para simular uma viagem ao Porto. O Ministério Público refere também que o cartão bancário de Manuel Costa terá sido usado para adquirir alimentos, tabaco e bebidas alcoólicas nos dias seguintes.
O julgamento prossegue nas próximas sessões.
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