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O silêncio desta aldeia encantadora da Serra da Lousã agora sussurra histórias

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 26-03-2026

Imagem: @julian.hluberiaga

A pedra que caracteriza a Serra da Lousã define o seu carácter, e está inserida numa paisagem de vegetação exuberante, pratos típicos e uma arquitetura que atravessa gerações.

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A estrada é apertada, com curvas e contracurvas, e a partir de Coimbra a viagem não demora cerca de uma hora.

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Talasnal. Trata-se de uma Aldeia de Xisto com um conjunto de casas cuidadosamente restauradas nos últimos anos, inseridas numa paisagem natural, com uma história marcada por abandono, resiliência e recuperação.

A primeira imagem do Talasnal, para quem chega de carro, é do miradouro situado algumas curvas antes da aldeia. Localizada na parte ocidental da Serra da Lousã, é a segunda maior aldeia da serra e uma das mais visitadas, seja pelo seu traçado urbano, pela paisagem envolvente ou pelo estado de conservação. A preservação destas aldeias tem sido possível graças a uma rede que valoriza o património arquitetónico e o tecido sociocultural.

Integrada na Rede Natura 2000, no Sítio de Importância Comunitária da Serra da Lousã, Talasnal oferece uma beleza que vai além das construções, mostrando o empenho em preservar a essência. Ao entrar na aldeia, o visitante é envolvido por uma mistura de sensações: o silêncio e a tranquilidade, o cuidado arquitetónico, o aroma dos pratos e a luz que entra pelas portas, os trilhos e a presença de fauna e flora. É um local que convida a descobrir a sua história.

A ocupação do Talasnal remonta ao século 17 ou início do século 18, embora já existisse uma população sazonal de pastores que passava as primaveras e verões na aldeia. A população atingiu o pico no início do século 20, com pouco mais de uma centena de habitantes, que gradualmente abandonaram a aldeia até que, em 1981, restassem apenas alguns moradores, descreve a National Geographic.

Com o abandono, muitas casas deterioraram-se, os lagares de azeite foram deixados ao abandono e os moinhos de água ficaram em ruínas. Contudo, iniciativas de valorização das Aldeias de Xisto permitiram restaurar o Talasnal, devolvendo-lhe a vida. Hoje, a maior parte das casas funciona como lojas, restaurantes, alojamentos ou casas de férias. A rua principal atravessa a vila acompanhando a encosta, ramificando-se em vielas que oferecem vistas inesperadas do pôr do sol ou pequenas tavernas onde se pode provar pratos tradicionais como a chanfana ou os talasnicos.

Entre as construções, é possível descobrir recantos escondidos, como um pequeno altar decorado com flores, uma fonte, um lagar de azeite e a eira, onde outrora se secava o grão. A região oferece ainda oportunidades para caminhadas tranquilas ou mais aventureiras, com trilhas de enduro e caminhos antigos de pastores e mineiros.

O Talasnal, uma das aldeias mais emblemáticas da Serra da Lousã e conhecida pelo seu charme típico das Aldeias de Xisto, recebe turistas de todo o país e do estrangeiro durante todo o ano. Mas, atualmente, a aldeia conta com apenas um residente permanente: Jorge Caetano.

Proprietário do bar “O Curral” – originalmente um espaço para guardar animais – mantém a pequena porta de entrada (característica do estabelecimento), mas logo quando se entra, os clientes encontram-se rodeados por garrafas, antiguidades e recordações deixadas por quem lá passou.

Talasnal integra percursos como a Rota dos Serranos, que atravessa vilas como Vaqueirinho, Casal Novo e Chiqueiro, e a Rota das 4 Aldeias, que liga Candal, Catarredor e Vaqueirinho a Talasnal — um percurso de cerca de 10 km entre bosques de sobreiros, cascatas e praias fluviais. A exploração das outras aldeias de xisto permite vivenciar plenamente a riqueza natural e cultural da Serra da Lousã.

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