Crimes
Viagem para a morte: Faz 1000 km para enterrar corpos da ex e da atual companheira em Portugal. Um dos filhos ficou a vigiar
Imagem: Facebook
Um ex-polícia francês é suspeito de ter raptado duas mulheres e dois filhos menores no sul de França, numa fuga que terminou em Portugal com um duplo homicídio.
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O caso está agora a ser investigado pelas autoridades portuguesas e francesas.
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Segundo o Correio da Manhã, Cédric Prizzon, antigo militar da Gendarmerie nationale e ex-jogador de rugby, terá sequestrado a ex-mulher, a atual companheira e os dois filhos — um adolescente de 13 anos e uma bebé de 18 meses — na região de Aveyron, no dia 20. As duas mulheres terão sido sedadas e colocadas na parte traseira de uma carrinha com matrículas falsas.
Durante quatro dias, o suspeito percorreu mais de mil quilómetros até entrar em território português pela zona de Bragança. Já em Portugal, indica aquele jornal, matou as duas mulheres por asfixia e enterrou os corpos na serra da Nogueira naquele distrito do Norte.
De acordo com o aquele jornal, o filho mais velho terá ficado a vigiar o local depois de o pai se ter assustado com a passagem de um helicóptero de combate a incêndios, que confundiu com um aparelho policial francês. A fuga terminou quando uma patrulha da GNR de Mêda realizava uma operação de fiscalização rodoviária na EN102.
Os militares mandaram parar a carrinha e rapidamente detetaram irregularidades nos documentos apresentados, incluindo carta de condução e matrículas falsas. O homem foi conduzido ao posto por suspeitas de falsificação documental. Só depois da identificação se percebeu que se tratava de um cidadão francês referenciado por rapto e suspeita de homicídio. A Polícia Judiciária foi imediatamente acionada e os dois menores foram colocados sob proteção.
O adolescente contou às autoridades que, durante a viagem, ele e a irmã viajaram sempre nos lugares da frente, enquanto as mulheres eram ameaçadas. Disse ainda não ter assistido aos homicídios, mas confirmou ter visto o pai arrastar os corpos até uma cova próxima da estrada, onde ficou posteriormente a vigiar.
Cédric Prizzon acabou por confessar os crimes e indicou aos inspetores o local onde os corpos estavam enterrados.
O suspeito é presente esta quinta-feira, 26 de março, ao Tribunal de Vila Nova de Foz Côa, estando indiciado por duplo homicídio e profanação de cadáver, crimes que terão sido praticados já em território nacional. No momento da detenção não existia ainda um mandado de detenção europeu, apenas um pedido de localização emitido pelas autoridades francesas.
Segundo informações das autoridades francesas, o homem, de 42 anos, terá agido após perder recentemente uma longa disputa judicial contra a ex-mulher, Audrey Cavalié, de 40 anos. As motivações para o homicídio da atual companheira, Angela Legobien-Cadillac, de 26 anos, não são totalmente conhecidas, embora o filho mais velho tenha referido que a mulher ameaçou denunciá-lo quando ouviu o helicóptero. As duas crianças encontram-se atualmente institucionalizadas.
Na carrinha usada na fuga foram encontradas dezenas de matrículas falsas, uma arma de fogo, vários telemóveis e tablets, além de cerca de 17 mil euros em numerário. A detenção inicial ocorreu precisamente devido à posse da arma e aos documentos falsificados. Mais tarde confirmou-se o envolvimento do suspeito nos crimes investigados.
O Correio da Manhã refere ainda que, em 2020, Cédric Prizzon já tinha sido condenado a seis meses de prisão por estrangular a ex-mulher, num episódio em que ambos ficaram feridos após uma agressão violenta.
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