Um vírus altamente comum, presente na maioria da população mundial, pode afinal representar um risco mais amplo do que se pensava. Novas investigações indicam que o chamado vírus JC poderá estar associado a casos de uma doença cerebral grave mesmo em pessoas sem imunossupressão evidente.
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O vírus JC infeta entre 50% e 90% dos adultos e é, na maioria das situações, contraído ainda na infância, permanecendo inativo ao longo da vida sem causar sintomas. No entanto, em circunstâncias raras, pode reativar-se e dar origem à leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP), uma doença neurológica severa e frequentemente fatal, dá conta .
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Esta condição surge quando o vírus sofre alterações que lhe permitem atacar o cérebro, destruindo a mielina — a camada protetora das fibras nervosas. As consequências podem ser graves, incluindo dificuldades na fala, problemas de visão, perda de coordenação motora e convulsões. Até agora, a LMP era sobretudo associada a casos de imunossupressão profunda, como em doentes com VIH ou sob tratamentos intensivos que afetam o sistema imunitário.
Contudo, um estudo recente vem pôr em causa essa ideia. Publicado na revista Annals of Internal Medicine, o trabalho descreve o caso de um homem de 72 anos com doença renal crónica avançada que desenvolveu LMP sem apresentar um quadro clássico de imunodepressão, segundo noticiado pelo Ars Technica.
O doente foi hospitalizado com sintomas como confusão, fraqueza e dificuldades na fala. Inicialmente, os médicos suspeitaram de complicações relacionadas com a insuficiência renal. No entanto, perante o agravamento do quadro clínico, exames ao cérebro revelaram lesões típicas da LMP. Testes posteriores confirmaram a presença do vírus JC no sistema nervoso central. O homem acabou por morrer apenas dois dias após o diagnóstico, pode ler-se no ZAP.
A doença renal crónica — que afeta cerca de 10% dos adultos a nível global — pode comprometer o sistema imunitário de forma menos evidente. Fatores como a acumulação de toxinas e a inflamação persistente podem facilitar a reativação de vírus latentes no organismo.
Apesar de a LMP continuar a ser uma doença rara, os investigadores alertam que os grupos de risco poderão ser mais abrangentes do que se pensava até agora.
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