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Aldeia “escondida” a 40 km de Coimbra (com águas cristalinas) está a conquistar tudo e todos

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 25-03-2026

Imagem: Lilian Marmelo/ National Geographic

A aldeia de Casal de São Simão, no concelho de Figueiró dos Vinhos, surge como um dos exemplos mais autênticos da preservação das tradicionais aldeias serranas portuguesas, integradas na paisagem da Serra da Lousã.

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Situada numa encosta rodeada por formações montanhosas, a aldeia mantém apenas cerca de vinte casas, preservadas graças ao abandono do crescimento urbano e ao esforço de recuperação levado a cabo por habitantes e associações locais. Este conjunto arquitetónico procura manter viva a identidade das antigas povoações rurais, em harmonia com o ambiente natural envolvente, segundo a revista National Geographic.

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A sua localização, relativamente isolada mas a cerca de 40 quilómetros de Coimbra, ajudou a proteger o património local de grandes intervenções modernas. O quotidiano da aldeia é marcado pela tranquilidade, interrompida apenas pelos sons da natureza e pela vida dos poucos residentes que ali permanecem.

O processo de recuperação teve um papel essencial na revitalização do povoado, impulsionado por moradores como António Quinta, que regressou às ruínas da aldeia e iniciou a reabilitação de casas, incentivando outros a fazer o mesmo. Estes esforços deram origem à Associação Refúgios de Pedra, responsável pela promoção e preservação do património local, dá conta a revista.

Mais tarde, a aldeia foi integrada na Rede de Aldeias de Xisto, beneficiando de melhorias em infraestruturas e da criação de espaços de apoio ao visitante, como a unidade “Varanda do Casal”, aberta desde 2009. Apesar de pertencer a esta rede, Casal de São Simão distingue-se por ser construída em quartzito e não em xisto, o que lhe confere uma identidade arquitetónica própria.

As casas em pedra clara, as escadas exteriores, os pequenos pátios e a presença de vegetação envolvente criam uma paisagem distinta das aldeias vizinhas. A aldeia é também ponto de partida de percursos pedestres, que atravessa trilhos antigos e liga outras povoações da região.

No topo da aldeia encontra-se a Ermida de São Simão, do século 15, considerada o edifício religioso mais antigo do concelho. Junto a esta capela, uma passarela de madeira conduz a um miradouro com vista sobre a Mata das Fragas de São Simão, um dos pontos naturais mais emblemáticos da região.

A envolvente histórica e cultural estende-se ainda à figura do pintor naturalista José Malhoa, cuja ligação à região inspirou obras e levou à criação da sua casa-ateliê, hoje visitável. O seu percurso artístico permanece presente em museus e igrejas locais, onde algumas das suas obras refletem a paisagem e a vida do Casal de São Simão.

Por fim, as Fragas de São Simão destacam-se como um dos grandes atrativos naturais da Serra da Lousã, com escarpas de quartzito, a Ribeira de Alge e trilhos pedestres que permitem explorar a biodiversidade da região, incluindo aves e vegetação típica de zonas florestais preservadas.

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