Coimbra
Jovem talento de Coimbra transforma tensão e fragilidade em arte têxtil contemporânea
Imagem: SAPO
Mafalda Beatriz Pinto Simões, jovem designer de moda de 24 anos natural de Coimbra, foi uma das vencedoras do concurso Sangue Novo, integrado na ModaLisboa, afirmando-se entre dezenas de candidatos emergentes.
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“Senti um enorme orgulho e felicidade. Com tantos candidatos e coleções incríveis apresentadas, ver o meu trabalho a ser destacado é um enorme privilégio”, afirmou a criadora, que dá agora um passo importante no início da sua carreira.
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A participação surgiu através das candidaturas anuais ao Sangue Novo, destinadas a finalistas de cursos superiores e jovens designers. Mafalda apresentou a coleção Soft Tissue – Bodies Under Pressure, um projeto que reflete sobre o corpo humano enquanto espaço de tensão, adaptação e resistência.
“Criar neste momento é trabalhar com as mãos a tremer, consciente de quão frágil tudo é, e ainda assim sentir a necessidade de continuar a criar a partir da tensão”, explicou. A coleção explora o corpo como “um arquivo vivo de pressão”, capaz de se transformar e persistir apesar da fragilidade.
O trabalho destaca-se também pelo uso de técnicas artesanais como o tricô e o croché, com recurso a fios da marca portuguesa Rosários 4 e fibras naturais como algodão e lã. “Para mim, foi fundamental usar materiais sustentáveis e principalmente uma marca portuguesa”, sublinhou.
A jovem designer quis ainda trazer uma nova leitura a práticas tradicionais. “Temos que continuar a reinterpretar estas técnicas e adaptá-las ao mundo atual para que não caiam em desuso”, defendeu.
Entre os desafios do processo criativo, Mafalda destaca a exigência pessoal e a vontade de evoluir. “Queria sentir uma evolução real face ao que já tinha feito antes e continuar a desafiar-me”, afirmou, reforçando a importância da autocrítica.
Atualmente a frequentar o mestrado na Faculdade de Arquitetura de Lisboa, a designer prepara-se para uma nova etapa internacional, após conquistar um prémio que lhe permitirá estudar no IED, em Itália. “A partir daí, é ver onde o futuro me leva”, disse.
O percurso na moda começou cedo. “Desde muito nova que sabia que o Design de Moda era o que queria fazer”, contou. Para Mafalda, a moda é uma forma de expressão constante: “é uma forma de arte que carregamos connosco todos os dias”.
A ligação a Coimbra continua a ser uma influência marcante no seu trabalho. “O ambiente onde cresci e as pessoas à minha volta moldam o meu olhar”, referiu, lembrando projetos anteriores inspirados na cidade.
Com um estilo assente em técnicas artesanais e numa forte ligação ao processo manual, Mafalda Simões ambiciona consolidar o seu percurso na indústria. “O meu objetivo é, um dia, ter a minha própria marca”, concluiu.
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