Educação

“Não se aprende com fome” e os “exames são injustos”: Estudantes protestam em Coimbra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 24-03-2026

Estudantes de várias escolas secundárias estão a mobilizar-se a nível nacional no âmbito do Dia Nacional do Estudante, num movimento que se prolonga até ao dia 27 e que junta cerca de 40 associações de estudantes.

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Em Coimbra, a manifestação centrou-se na Escola Secundária Jaime Cortesão, onde os alunos exigem melhores condições no ensino e nas infraestruturas.

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Em declarações no local, o presidente da Associação de Estudantes da escola explicou que o objetivo do protesto passa por “termos melhores condições na nossa escola”. Segundo afirmou, “hoje, como é o Dia Nacional do Estudante, nós temos de lutar, não podemos ficar calados neste dia tão importante”.

Entre as principais reivindicações está a melhoria das condições na escola, incluindo alimentação e infraestruturas. O representante dos estudantes afirmou ainda: “queremos melhor comida, dar fim aos exames nacionais, que achamos que é uma forma injusta para todos os estudantes”, acrescentando que o objetivo é “dar melhores condições à escola”.

Sobre a contestação aos exames nacionais, o dirigente estudantil defendeu que o sistema atual é injusto, referindo que estes “valem 50% da nossa nota e são avaliados em apenas duas horas”, sublinhando que “os alunos vão nervosos para o exame e acabam por tirar uma nota má, acabam por não entrar no curso que querem, porque simplesmente estavam nervosos nesse dia”.

Outro dos pontos levantados prende-se com a desigualdade no acesso ao apoio escolar. O estudante afirmou que “há muitas pessoas que estão sem professores, não conseguem estudar para os exames”, acrescentando que existem alunos sem recursos para explicações, o que, na sua perspetiva, cria desigualdades: “há quem não tenha dinheiro para pagar explicações e acabam por ter uma nota miserável só porque não tiveram condições”.

A falta de recursos humanos no ensino também foi apontada como um problema generalizado. Apesar de não ser o caso mais grave na sua escola, o representante alertou que “vê-se em várias escolas uma grande falta de professores”.

Na Escola Secundária Jaime Cortesão, os alunos exibiram palavras de ordem como “não se aprende com fome”, “obras sim, exames não” e “quero um pavilhão”, refletindo as preocupações locais, nomeadamente a necessidade de melhorias nas instalações e a deslocação dos alunos para aulas de educação física a vários quilómetros da escola.

O movimento estudantil, que decorre em várias zonas do país, junta dezenas de associações de estudantes e pretende chamar a atenção para problemas estruturais do ensino secundário, com ações previstas até ao dia 27.

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