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Saiba o número de cafés que deve beber para dar um “chuto” na depressão e ansiedade

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 23-03-2026

Imagem: depositphotos.com

Um novo estudo sugere que o consumo moderado de café pode estar associado a um menor risco de desenvolver ansiedade e depressão, reforçando a ideia de que a bebida pode ter efeitos que vão além do aumento do estado de alerta.

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A investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Fudan, analisou dados de mais de 461 mil participantes inicialmente sem diagnóstico de perturbações mentais. Ao longo de um período médio de acompanhamento de 13,4 anos, os investigadores cruzaram o consumo auto-reportado de café com o aparecimento posterior de problemas de saúde mental.

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Os resultados indicam uma relação em forma de “J” entre o consumo de café e o risco de transtornos de humor. Ou seja, níveis moderados de consumo estiveram associados aos melhores resultados.

Segundo os dados, quem consumia cerca de duas a três chávenas por dia apresentava menor probabilidade de desenvolver ansiedade ou depressão quando comparado tanto com não consumidores como com pessoas que ingeriam quantidades mais elevadas. Já o consumo igual ou superior a cinco chávenas diárias foi associado a um aumento do risco.

Os investigadores observaram ainda que esta tendência se manteve independentemente do tipo de café consumido, incluindo versões moídas, instantâneas e descafeinadas, sugerindo que não é apenas a cafeína a desempenhar um papel.

Embora o estudo não tenha medido diretamente a atividade cerebral, os autores apontam que o café contém vários compostos bioativos que podem influenciar processos inflamatórios e circuitos cerebrais ligados ao humor e ao stress. Estes mecanismos poderão ajudar a explicar a associação observada.

Os investigadores também realizaram análises genéticas para avaliar se a capacidade individual de metabolizar cafeína influenciava os resultados, mas não encontraram diferenças significativas.

Apesar das associações encontradas, os autores sublinham que o estudo não prova uma relação de causa e efeito. O consumo de café foi registado apenas numa fase inicial, o que limita a avaliação de mudanças de hábitos ao longo do tempo.

Além disso, fatores como estilo de vida, saúde geral e nível de atividade física foram considerados na análise, mas os investigadores reconhecem que podem existir variáveis não controladas.

Os resultados contribuem para o crescente conjunto de evidência que relaciona o café a possíveis benefícios para a saúde, incluindo efeitos cardiovasculares e metabólicos já descritos em estudos anteriores. Agora, a saúde mental surge como mais uma área de interesse, embora ainda seja necessária investigação adicional para confirmar mecanismos e causalidade.

A investigação foi publicada no Journal of Affective Disorders.

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