Portugal

Casais acordam-se dezenas de vezes por noite… mas não se lembram de nada

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 23-03-2026

Imagem: depositphotos.com

Dormir na mesma cama é, para muitos casais, sinónimo de conforto e proximidade. No entanto, uma revisão de estudos científicos indica que esta partilha pode trazer mais despertares noturnos do que dormir sozinho — ainda que a maioria passe despercebida ou seja rapidamente esquecida ao acordar.

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Segundo o investigador Sean Drummond, apesar de as pessoas sentirem que descansam melhor acompanhadas, medições objetivas mostram o contrário. Ou seja, o sono tende a ser mais fragmentado quando há outra pessoa na cama, mesmo que as queixas não sejam frequentes.

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A análise, conduzida por Lionel Rayward e equipa, reuniu vários estudos sobre o impacto de dormir a dois. Em todos eles surgem sinais de que os movimentos de um parceiro influenciam o outro. Entre 30% a 46% dos movimentos feitos por uma pessoa acabam por ser “acompanhados” pelo parceiro, provocando microdespertares, pode ler-se no ZAP.

Experiências em laboratório mostram também diferenças mensuráveis: pessoas que dormiam sozinhas registavam menos movimentos involuntários do que quando partilhavam a cama. Em média, isto resultou em mais despertares por noite, detetados através de medições da atividade cerebral.

Em estudos feitos em ambiente doméstico com relógios inteligentes, os participantes chegaram a ser acordados várias vezes por noite devido aos movimentos do companheiro. No entanto, no dia seguinte, a maioria só se lembrava de uma pequena parte dessas interrupções, sugerindo que muitas são leves e não afetam de forma significativa a perceção global do descanso.

Para os especialistas, quando o sono do casal é saudável, estes episódios não costumam ter grande impacto: a pessoa vira-se e volta a adormecer. O problema agrava-se quando existem distúrbios como insónia ou ressonar, que aumentam a agitação durante a noite.

Nestes casos, podem surgir soluções como terapia cognitivo-comportamental para a insónia, ou tratamentos específicos para o ressonar, incluindo dispositivos de pressão positiva nas vias respiratórias ou aparelhos dentários que ajudam a melhorar a passagem do ar.

A investigadora Amal Osman explica que alguns ajustes simples também podem ajudar, como mudar a posição de dormir ou usar estratégias que evitem o sono de costas, que tende a agravar o ressonar.

Entre soluções mais práticas para casais, os investigadores apontam ainda o chamado “método escandinavo”, em que o casal partilha a cama, mas usa cobertores separados, reduzindo interferências durante a noite.

Apesar de tudo, os especialistas alertam para não dramatizar os despertares ocasionais. Como resume Drummond, ninguém dorme de forma contínua durante toda a noite, e pequenos acordares fazem parte do funcionamento normal do sono humano.

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