“Mira à Mesa” decorre este fim de semana e repete-se de 27 a 29 de março, juntando 15 restaurantes do concelho num verdadeiro roteiro de sabores da Gândara.
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Mais do que um festival gastronómico, o evento é quase uma viagem no tempo — à mesa.
“São pratos simples, mas cheios de sabor e identidade”, sublinha a organização.
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Ao longo de dois fins de semana, a iniciativa quer fazer mais do que encher restaurantes: quer dar a conhecer a identidade gastronómica do concelho.
“Temos restaurantes de grande qualidade. Esta iniciativa é uma forma de convidar as pessoas a redescobrir os sabores de Mira”, destaca o autarca.
No fundo, o convite é simples: juntar família ou amigos, sentar-se à mesa e deixar que os sabores contem a história.
Entre os espaços aderentes está a Marisqueira Tésinho, uma casa histórica fundada em 1959 — e que começou literalmente dentro de um barco, na barrinha.
Hoje, continua a ser uma referência local, agora com nova gerência e uma aposta reforçada na qualidade.
“Queremos dar continuidade ao peixe grelhado e à marisqueira, mas também reintroduzir a carne no conceito tradicional português”, explica o gerente Fernando Magueta.
A carta mantém-se fiel à tradição: peixinhos fritos (como o clássico jaquinzinho), sopa de peixe e caldeirada feita com raia, pata-roxa, ruivo e, por vezes, robalo.
“Trabalhamos a matéria-prima sem alterar muito a sua essência.”
Mas há mais: também entram pratos de carne, como a bochecha de porco assada lentamente no forno — daquelas receitas que sabem a casa.
Tudo acompanhado por vinhos da Bairrada, escolhidos para equilibrar sabores — dos espumantes aos brancos mais frescos.
Seguimos para outro dos restaurantes participantes, Brisa do Mar, onde a tradição continua bem viva — e bem servida.
Aqui encontramos a sopa gandaresa, uma das estrelas do menu.
“Isto serve perfeitamente de refeição”, garante a gerente Elsa Sérgio.
E não é exagero: leva feijão, várias carnes, enchidos e legumes, tudo cozinhado lentamente e com aquele sabor típico de comida de família.
“A água da sopa é a própria água da cozedura do feijão — é isso que lhe dá o sabor.”
Mas há mais para provar: pitéu de raia, sarrabulho, e, claro, arroz doce para terminar.
No Brisa do Mar, o peixe não vem de qualquer lado — vem diretamente do mar, muitas vezes pelas mãos do próprio marido da proprietária, pescador de arte xávega.
“Se ele não trouxer, não há. Trabalhamos pouco com peixe congelado, por isso o melhor é reservar.”
É também por isso que pratos como a caldeirada ou o pitéu de raia exigem marcação prévia — aqui, a frescura manda.
Para ajudar na escolha, até o presidente da Câmara de Mira, Artur Fresco, entrou no desafio.
Entre sopa gandareza, sarrabulho e pitéu de raia, a escolha não foi fácil.
“Gosto de todos, mas hoje escolhia o pitéu de raia”, admitiu.
A sugestão ficou feita: sexta-feira com pitéu, sábado com sarrabulho e domingo com sopa — sempre com jaquinzinhos e arroz doce à mistura.
Participam na edição de 2026 do Mira à Mesa os restaurantes 100 Temperos, A Cozinha, Brisa do Mar, Lila, Marisqueira O Tézinho, Morhua, O Telheiro, Pátio do Tabuinhas, Petisc’Art, Salgáboca e Texas Bar, todos na Praia de Mira; Milénio, em Leitões; Peixaria Nosso Mar, em Portomar; Prazo – Mercearia e Casa de Comer, na Barra de Mira; e ainda a Confraria Nabos e Companhia, nos Carapelhos.
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