Um projeto desenvolvido por estudantes do Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração, em Aveiro, para colocar em diálogo gerações distintas, através de um ‘podcast’, foi hoje vencedor do Concurso Regional Idadismo Zero 2025.
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A primeira edição do prémio, que é promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, foi entregue ao ‘podcast’ “Pontos de Idade”, uma ideia apresentada pelas alunas Grazyelle de Melo e Diana Ferreira, com orientação do professor Bruno Soares.
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Trata-se de um podcast intergeracional, que irá promover o diálogo entre gerações, valorizar o envelhecimento e combater o idadismo através de conversas curtas, acessíveis e humanizadas.
A distinção foi entregue durante a tarde de hoje, na sede daquela CCDR, em Coimbra, na final da primeira edição do Concurso Regional Idadismo Zero 2025, uma iniciativa que desafia os alunos do ensino superior da região Centro a apresentarem ideias para combater o idadismo.
Ao longo da cerimónia, Grazyelle de Melo e Diana Ferreira explicaram que o intuito é fazer com que gerações distintas se tornem mais unidas, através de um ‘podcast’ “fácil de realizar”.
Na sessão demonstrativa, “foram precisas apenas cadeiras e alguns microfones” para concretizar a conversa, onde uma idosa e uma jovem, através de mediadores, debateram o idadismo e a sua influência em áreas como o amor e o uso das tecnologias.
Além do ‘podcast’, o objetivo é reproduzir o modelo em rodas de conversa, eventos culturais, festivais, rádios e programas.
“Pontos de Idade” era uma das quatro ideias finalistas, selecionadas pelo júri de entre as 76 ideias a concurso, promovidas por 148 estudantes de oito instituições de ensino superior da região Centro.
A iniciativa vencedora recebeu um prémio de mil euros (750 euros para a equipa de alunos e 250 euros para o professor responsável), comprometendo-se a CCDR do Centro a implementar a ideia como uma boa prática regional no combate ao idadismo, tendo os outros três projetos finalistas recebido menções honrosas.
Um projeto artístico-cultural voltado para os idosos da região, que combina oficinas de dança e partilha de memórias como espaços de criação, expressão e encontro, desenvolvido por uma estudante da Universidade de Aveiro, e uma iniciativa que propõe transformar espaços públicos da comunidade em locais de escuta e partilha intergeracional, tornando visível a voz das pessoas idosas, por uma aluna do Instituto Politécnico de Castelo Branco, estavam entre os finalistas.
O terceiro concorrente propôs uma iniciativa que reconhece as empresas e organizações que integram, de forma inclusiva e equitativa, pessoas com 65 ou mais anos nos seus ambientes de trabalho, tendo sido desenvolvido por discentes do Instituto Politécnico de Coimbra.
Presente na sessão, o vice-presidente para a área da saúde da CCDR do Centro, Licínio Oliveira de Carvalho, afirmou que o idadismo é “a terceira forma de discriminação mais frequente, após o racismo e o sexismo”.
O preconceito “afeta sobretudo os mais jovens e as pessoas mais velhas”, constituindo, principalmente no caso da população idosa, “um obstáculo à sua participação em sociedade”.
Na ótica de Licínio Oliveira de Carvalho, “os jovens são uma peça fundamental no combate ao estigma face às pessoas mais velhas e na inversão de uma certa normalização desta prática discriminatória”.
Com este concurso, a CCDR do Centro, em articulação com as instituições de ensino superior da região, quer “reconhecer e reproduzir no território ideias que contribuam para o combate ao idadismo e para a promoção de uma cultura de respeito pelas pessoas mais velhas, garantindo que todos, independentemente da idade, tenham a oportunidade de viver uma vida plena, digna e significativa”.
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