O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) perspetivou hoje que o relatório técnico sobre a Bacia do Mondego, decorrente das cheias deste ano, aponte caminhos para tornar mais resiliente o sistema hidráulico do rio.
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Em declarações aos jornalistas, no final da tomada de posse dos elementos do grupo de trabalho responsável pelo relatório, na sede regional de Coimbra da Ordem dos Engenheiros, Pimenta Machado disse que é importante o estudo refletir sobre as causas de rebentamento do dique do lado direito do rio Mondego, na zona dos Casais, em Coimbra, no dia 11 de fevereiro.
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“É preciso refletir sobre o que aconteceu para podermos gerir melhor e olhar para este projeto nascido nos anos 70 e concretizado nos anos 80 [do século passado], e adaptá-lo à nova realidade, que é excecional naquilo que são os fenómenos climáticos extremos”, frisou o dirigente.
Segundo Pimenta Machado, “é importante revisitar a cota da barragem da Aguieira, olhar para a barragem de Girabolhos, olhar para o sistema de diques, para os sistemas complementares de defesa contra as cheias, no fundo, revisitar todo o projeto”.
O presidente da APA referiu ainda que do relatório técnico sairá uma proposta de modelo de gestão do sistema hidráulico do Mondego, que tem fins múltiplos: produção de energia, rega para a agricultura, indústria e consumo humano.
“Temos de olhar para o modelo e refletir como o podemos tornar mais operacional, em que os vários utilizadores também contribuam”, acrescentou Pimenta Machado.
Na sessão, o bastonário da Ordem dos Engenheiros destacou o desafio de elaborar um relatório técnico em 100 dias, salientando que faz parte “do espírito de propostas e soluções com que a organização olha para as infraestruturas e território crítico, de uma forma integrada e abrangente e não circunstancializada”.
Na sua intervenção, Fernando de Almeida Santos lamentou que Portugal não tenha ainda definido quais são as infraestruturas críticas e não tenha um plano de ação para cada uma.
“Depois também não temos um plano de atuação previsto no Orçamento de Estado, como existe noutros países, para emergências”, denunciou o bastonário.
O grupo de trabalho que vai elaborar o relatório técnico da Bacia do Mondego é coordenado por Armando Baptista da Silva Afonso, especialista em Sanitária e membro conselheiro da Ordem dos Engenheiros.
A equipa é composta por José Alfeu Sá Marques, especialista em Hidráulica e Sanitária e também membro conselheiro da Ordem dos Engenheiros, Nuno Eduardo da Cruz Simões e Carla Andreia Pimentel Rodrigues, ambos especialistas em Hidráulica, e Paulo José da Venda Oliveira, especialista em Geotecnia.
A constituição do grupo de trabalho resultou de um protocolo entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Ordem dos Engenheiros, assinado em 27 de fevereiro, para a elaboração de um relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia Hidrográfica do rio Mondego e revisão dos modelos de gestão do risco.
De acordo com o protocolo, os especialistas terão de fazer uma “análise comparativa das circunstâncias associadas à rutura do dique do leito central” ocorrida este ano, devido ao mau tempo, tendo em consideração os eventos em 2001 e 2019, assim como a reavaliação do projeto das infraestruturas do Baixo Mondego e “a sua eventual adaptação às exigências atuais decorrentes das alterações climáticas”.
Entre os trabalhos a desenvolver consta ainda a apresentação de “contributos para o modelo de governança para o Aproveitamento Hidráulico do Baixo Mondego, envolvendo a revisão do modelo de manutenção continuada, assegurando meios financeiros para a conservação preventiva através de um modelo de cogestão participada pelos municípios, entidades e agentes económicos da região”.
Os trabalhos serão desenvolvidos “num prazo máximo de 100 dias”, tendo o grupo de trabalho de apresentar um relatório preliminar até 09 de maio.
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