Cinema

Casa do Cinema de Coimbra desafia olhar sobre o trabalho doméstico e o tempo na sétima arte

Notícias de Coimbra | 52 minutos atrás em 19-03-2026

Este ciclo é dedicado às representações do tempo e do trabalho reprodutivo no cinema. Integrando a programação da Casa do Cinema de Coimbra, no âmbito do projeto exploratório CINE-TEMPO, coordenado por Patrícia Sequeira Brás, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e desenvolvido no CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra. 

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O ciclo explora a utilização da duração expandida no cinema para retratar o trabalho reprodutivo, concentrando-se na dimensão estética duracional cinematográfica como forma de capturar as atividades que compõem a reprodução social.  A reprodução social abrange a multiplicidade de atividades necessárias para sustentar e restabelecer a sociedade, incluindo cozinhar, comer, e várias tarefas de cuidado socialmente atribuídas às mulheres. 

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Ao privilegiar gestos quotidianos, rotinas e tempos prolongados, os filmes selecionados revelam dimensões frequentemente invisibilizadas do trabalho doméstico, do cuidado e da organização da vida social. Com o ciclo, convidamos a comunidade estudantil e o público em geral a refletir acerca da importância do trabalho reprodutivo na nossa sociedade. Espera-se, assim, que a sala de cinema se transforme num espaço de reflexão coletiva entre a investigadora e o público.  

O Ciclo terá início dia 18 de março às 11:00 com Tempo Comum (2018), de Susana Nobre, um retrato íntimo da experiência de parentalidade nos primeiros meses de vida.

O Ciclo segue dia25 de março com O Movimento das Coisas (1985), de Manuela Serra, longa-metragem que observa o quotidiano da aldeia de Lanheses no Norte do país, marcada pela coexistência entre a tradição rural e a industrialização.

Em abril, começamos o mês com dose dupla, dia 1 de abril às 21:30 e dia 2 de abril às 11:00 com a longa-metragem belgo-francesa Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles (1975) de Chantal Akerman, uma obra incontornável da história do cinema, inspirada na sua mãe, que acompanha o quotidiano de uma mulher e o seu trabalho doméstico, e reprodutivo.

Nos dias 15 e 16 de abril às 21:30 e 11:00, respetivamente, o ciclo prossegue com a obra Wendy and Lucy (2008) de Kelly Reichardt, que acompanha a história de Wendy e da sua cadela Lucy, cuja trajetória é atravessada por condições de precariedade económica no rescaldo da crise financeira de 2008.

Para terminar esta primeira parte da iniciativa, no dia 1 de maio às 11:00 o filmeLunch Break (2008) que demonstra cinematograficamente o momento de pausa para almoço de 42 trabalhadores de um estaleiro naval, transformando o tempo de descanso num espaço de observação e reflexão.

 

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