Portugal

Fogo controlado no inverno ajuda a travar incêndios e renova pastagens

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 19-03-2026

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está a realizar ações de fogo controlado para prevenção de incêndios e renovação de pastagens, tendo intervencionado cerca de 800 hectares na zona Norte na campanha 2025/26.

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“Isto é uma ação de fogo controlado com um duplo objetivo: criação de pasto para gado e também serve de mosaico para retirar carga à paisagem e servir de zona de oportunidade de combate se ocorrer um incêndio no verão”, afirmou o técnico do ICNF Artur Borges.

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O responsável, que falava à agência Lusa durante uma ação de fogo controlado na Serra do Marão, concelho de Amarante, apontou ainda para o treino dos operacionais.

“O treino está sempre inerente às ações de fogo, porque o fogo controlado de inverno é o melhor treino para o verão, para o combate”, referiu.

As campanhas decorrem anualmente entre os meses de setembro/outubro e abril, mas as condições meteorológicas verificadas neste inverno, com muita chuva e vento, dificultaram a realização do fogo controlado.

Esta semana estavam reunidas condições pelo que decorreram ações um pouco por toda a região, desde Ponte de Lima, Melgaço, Montalegre, Bragança, Ribeira de Pena, Vinhais a Arouca ou Vale de Cambra

“Temos toda a gente no terreno estes dias a fazer o máximo, de manhã à noite”, afirmou Miguel Gonçalves, diretor regional adjunto do ICNF Norte.

O responsável disse que, até ao momento, foram executados mais de 800 hectares na região, cerca de 400 hectares nas serras do Marão e Montemuro, e referiu que as equipas envolvem também, entre outros, bombeiros, elementos dos gabinetes técnicos municipais das câmaras ou militares da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR .

Miguel Gonçalves realçou que estas ações são complementares com outras iniciativas que visam a prevenção e mitigação dos incêndios, adiantando que desde 2020, no Norte, foram instalados mais de 8.000 hectares de rede primária de faixas de gestão de combustível .

No dia em que a Lusa acompanhou a equipa liderada por Artur Borges, foram executadas três parcelas em simultâneo na Serra do Marão.

“Temos cerca de três dias sem chuva, a humidade relativa anda a rondar os 40%, 30%, com algum vento, mas é um vento seco e, portanto, temos reunidas as condições de ignição e de condução de fogo dentro de segurança”, explicou.

Há sempre um risco associado, pelo que a ação foi acompanhada por elementos da Corpo Nacional de Agentes Florestais (CNAF) do ICNF e sapadores florestais dos baldios.

“Os meios são dimensionados de acordo com a dimensão da parcela e com a meteorologia que vai estar no dia da queima”, explicou Artur Borges.

Este é o chamado fogo bom. “O fogo que nós fazemos é um fogo que é feito em condições benéficas para o território”, salientou, acrescentando que cria “uma zona tampão” que pode proporcionar uma oportunidade efetiva de combate a um incêndio.

O planeamento das áreas a intervir nas zonas de montanha também é feito com o envolvimento dos pastores.

“É um território que tem ainda gado e, portanto, nós queremos fixar as pessoas no território”, referiu Artur Borges.

E, para o produtor de vacas maronesas, José Teixeira, a renovação das pastagens representa “a diferença entre estar aberto ou estar fechado”.

A sua exploração está localizada em Canadelo, Amarante, distrito do Porto, e, segundo explicou, as suas 20 vacas adultas andam pela serra à procura de alimento e, por isso considerou “essencial que as pastagens sejam renovadas e que haja queimadas todos os anos”.

“Elas [vacas] são autónomas, a comer, a beber, e eu não tenho despesa com elas. Só assim é que se pode ser produtivo no final do ano, porque de outra forma, se estivesse aqui a alimentá-las diariamente, era impossível”, referiu.

Artur Borges salientou o “trabalho de proximidade” com os pastores “para ver o que é que eles precisam, onde é que eles precisam e conjugar isso com a estratégia de defesa do território e de gestão do mesmo”.

O fecho da época de queima, entre o final de março e meados de abril está dependente do ano hidrológico, mas também está relacionado com fatores relacionados com a reprodução das espécies e os valores ambientais a preservar.

No Marão, inserido na Rede Natura 2000, estas são preocupações que têm que ser tidas em conta.

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