Um comité independente de investigação iniciou hoje as audiências sobre o incêndio mais mortífero em Hong Kong desde 1948 e ouviu depoimentos a apontar as falhas que contribuíram para que o fogo matasse 168 pessoas.
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Antigos residentes e familiares das vítimas aguardam respostas desde novembro, quando o incêndio devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas.
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Nas observações iniciais, o advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.
Victor Dawes apontou como fatores que levaram ao desastre os alarmes de incêndio e sistemas de mangueiras desligados, a utilização de redes de andaimes não resistentes ao fogo e a cobertura de janelas com placas de espuma.
“No dia do incêndio, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios destinados a proteger vidas falharam devido a fatores humanos”, lamentou o advogado.
O incêndio começou a 26 de novembro e rapidamente consumiu sete dos oito edifícios do complexo de apartamentos. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude.
A agência anticorrupção de Hong Kong deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos do complexo.
A comissão, liderada por um juíz e criada em dezembro, vai também examinar se existiam problemas sistémicos, como a manipulação de concursos, em obras de manutenção e renovação de edifícios de grande escala.
O Governo da antiga colónia britânica afirmou na altura que o trabalho da comissão deveria demorar nove meses.
Após ouvir as observações iniciais dos advogados, a comissão ouvirá depoimentos orais de testemunhas, incluindo residentes em Wang Fuk. Vários departamentos governamentais estão envolvidos nas audições.
Antes da audiência, Phyllis Lo, que perdeu a mãe no incêndio, disse que espera ouvir as conclusões de diferentes partes, para obter uma compreensão abrangente do incidente.
“Queremos saber o que causou este desastre e quem é o responsável. No mínimo, queremos saber o que iniciou o incêndio e porque é que se espalhou tão rapidamente, ao ponto de se tornar completamente incontrolável”, disse outra moradora, Seneca Lee.
Muitos ex-moradores de Wang Fuk continuam a viver em habitações temporárias espalhadas pela cidade.
Em fevereiro, as autoridades de Hong Kong propuseram a recompra dos direitos de propriedade das vítimas do incêndio, citando os resultados de um inquérito sobre as preferências dos residentes.
Mas o anúncio frustrou as esperanças de alguns moradores, que desejam reconstruir os apartamentos no local.
O líder de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, disse na terça-feira que o Governo está a trabalhar em planos para permitir que, em abril, os residentes afetados visitem os apartamentos e recuperem alguns dos pertences.
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