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O artesão de Sobral Gordo que “entregou” a sua aldeia (em xisto) ao Presidente da República

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 17-03-2026

O Notícias de Coimbra esteve no coração da aldeia de Sobral Gordo marcada pelos incêndios de agosto de 2025 e visitou uma das casas que resistiu às chamas. A viagem começou na aldeia de Mourísia e terminou em Sobral Gordo, onde a destruição deixou marcas que jamais se esquecerão.

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Em Mourísia, António Francisco dedica-se à construção de pequenas casas de xisto, trabalho que realiza com cuidado na sua adega. “É pedra a pedra. Utilizo o sistema antigo, demora mais tempo, mas as pedras têm que ser cruzadas”, explicou António.

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O artesão revelou ainda que já ofereceu algumas das suas criações a figuras públicas. “Aquela casa que tive muito gosto, muito prazer de fazer foi para o Presidente da República. Foi o meu irmão que quis oferecer’”, contou António Francisco. Acrescentou que algumas destas casas também foram oferecidas à Câmara de Arganil, destacando a ligação histórica e afetiva à região.

“Também entreguei uma casinha à doutora Maria de Belém, a pedido de um colega que já faleceu”, revelou.

Recordando o passado, António falou sobre a importância das visitas presidenciais: “Significa muito para este concelho”. Ainda “Já “me lembro do Presidente Américo Tomás passar por aqui… as crianças da escola saudaram-no, era um momento de festa para a aldeia” , recorda.

Sobre os incêndios recentes, António partilhou o impacto pessoal e comunitário: “Foi um bocado difícil, mas felizmente tivemos aqueles bombeiros. Eu nunca saí de cá. Nunca abandonei a terra em qualquer dos incêndios, porque nós já tivemos cá grandes fogos, inclusive o de 1917, que foi muito grave.”

O artesão, com quase 85 anos, descreveu a sua ligação à terra: “Trabalhei muito e não me arrependo. Esta é a minha terra, de quem me orgulho muito… Saí daqui com 13 anos, fui para Lisboa trabalhar, mas sempre com o coração no Sobral Gordo.”

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