A exposição “Heritage of Hope: The abolitionist legacy in Europe” que aborda a trajetória de abolição da pena de morte na Península Ibérica é inaugurada terça-feira, na Torre do Tombo em Lisboa.
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No dia seguinte, na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, é inaugurada uma exposição com o mesmo título e idênticos conteúdos.
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A exposição é constituída por painéis com a reprodução de documentos históricos relacionados com as últimas aplicações da pena de morte em Portugal e Espanha, “com especial enfoque no movimento abolicionista, nomeadamente do ponto de vista jurídico”, disse à agência Lusa Manuel Portela, diretor da Biblioteca da Universidade de Coimbra.
A exposição faz ainda uma ligação às contemporâneas convenções europeias dos Direitos Humanos.
A exposição resulta da colaboração entre o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e o Arquivo da Coroa de Aragão (ACA), distinguidos com a Marca do Património Europeu.
“O objetivo central [da exposição] é fortalecer o sentimento de pertença dos cidadãos à União Europeia — com especial enfoque nos jovens — ao demonstrar como movimentos históricos nacionais foram fundamentais na construção dos valores de dignidade humana e justiça que definem a Europa atual”, disse à Lusa fonte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT).
“A narrativa da exposição – prosseguiu – foca-se nas biografias de figuras abolicionistas, muitas delas juristas formados na Universidade de Coimbra, cujas ideias moldaram o pensamento jurídico e intelectual da época. Para materializar esta herança, a exposição internacional é composta por documentos históricos, transcrições e materiais digitais provenientes dos acervos dos parceiros”, a Universidade de Coimbra (UC) e o ACA.
A mostra conta com participação e apoio do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, que assegura a coordenação científica através da investigadora Maria João Vaz, e da Amnistia Internacional, que “reforça a dimensão cívica e educativa através de atividades pedagógicas destinadas às novas gerações”.
Esta iniciativa pretende “mais do que celebrar um passado, construir um legado duradouro”. “Através de uma estratégia multilingue e da criação de recursos reutilizáveis — como exposições itinerantes e virtuais, testemunhos e oficinas de capacitação —, o projeto garante que os valores da democracia e dos Direitos Humanos permaneçam ativos na memória dos jovens e da sociedade”, salientou fonte do ANTT.
Este projeto é resultado da candidatura ao Concurso de Bolsas da Marca do Património Europeu, promovido pela União Europeia, que a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) formalizou em 2025.
“Ao ligar este património comum aos desafios contemporâneos, reafirmamos o papel vital da Marca do Património Europeu na construção de uma cidadania europeia consciente e unida”, declara o ANTT.
Depois de Coimbra, é exposição será apresentada no Arquivo da Coroa de Aragão (ACA) a 13 de abril próximo, seguindo de forma itinerante, e podendo ser vista no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, entre setembro e dezembro próximos, e na Amnistia Internacional, também na capital, a partir de julho próximo.
Portugal foi o primeiro país europeu a abolir a pena de morte para crimes civis, em julho de 1867.
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