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Médio Oriente: Hezbollah e Israel em guerra há mais de 40 anos no Líbano

Notícias de Coimbra com Lusa | 16 segundos atrás em 16-03-2026

Imagem: DR

Israel anunciou hoje o lançamento de operações terrestres contra o Hezbollah pró-iraniano, em paralelo com a vasta campanha aérea que tem em curso contra os bastiões do movimento xiita no Líbano.

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Eis cinco datas fundamentais em mais de 40 anos de conflito entre os dois campos, num trabalho da agência de notícias France-Presse (AFP):

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1982: nascimento do Hezbollah: O Hezbollah nasce na sequência da invasão do Líbano por Israel em 1982, que visava neutralizar os grupos palestinianos armados.

Os membros eram, na altura, enquadrados pelos Guardas da Revolução iranianos.

Rapidamente, o braço armado do movimento impôs-se como a ponta de lança da resistência contra a ocupação israelita.

Israel retirou-se da maior parte do Líbano em 1985, com exceção de uma “zona de segurança” no sul do país, ocupada desde 1978.

Em fevereiro de 1992, Israel matou num ataque o secretário-geral do Hezbollah, Abbas al-Musawi, um clérigo xiita libanês que assumira a chefia do movimento em maio de 1991.

O sucessor, Hassan Nasrallah, transformaria o movimento numa força política incontornável antes de ser morto, em 2024, num bombardeamento israelita.

O Hezbollah tem uma ala política, o partido Lealdade à Resistência, que elegeu 15 deputados (mais três do que em 2018) dos 178 que constituem o parlamento do Líbano.

Em 09 de março, os deputados do Hezbollah votaram favoravelmente a prorrogação da legislatura por dois anos, aprovada com 76 votos a favor, 41 contra e quatro abstenções, devido à guerra.

As eleições estavam previstas para maio de 2026.

O Hezbollah, que também possui um braço armado, o Conselho da Jihad, integra o chamado “Eixo da Resistência”, uma coligação de grupos radicais liderada e financiada pelo Irão para atuar contra interesses israelitas e norte-americanos na região.

1996: ofensiva “Vinhas da Ira” : Em 11 de abril de 1996, o exército israelita lançou a operação “Vinhas da Ira”, uma campanha de ataques em grande escala para quebrar o potencial militar do Hezbollah e cessar o disparo de foguetes sobre o norte de Israel.

Um cessar-fogo foi concluído a 26 de abril.

Em maio de 2000, após 22 anos de ocupação, Israel retirou-se da “zona de segurança” no sul do Líbano e o Hezbollah assumiu o controlo da área.

Guerra de 2006: Em julho de 2006, o Hezbollah desencadeou uma guerra de 33 dias com Israel ao raptar dois soldados israelitas na fronteira.

O conflito causou mais de 1.200 mortos no Líbano, a maioria civis, e 160 em Israel, maioritariamente soldados.

Israel não conseguiu neutralizar o movimento, que saiu do conflito reforçado.

Guerra de 2024: O Hezbollah abriu uma frente contra Israel logo após o início da guerra na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas em solo israelita de 07 de outubro de 2023.

Após um ano de trocas de tiros transfronteiriças, Israel lançou em 23 de setembro de 2024 uma intensa campanha de bombardeamentos, seguida de uma ofensiva terrestre.

A guerra, que dizimou a liderança do grupo, causou mais de 4.000 mortos do lado libanês antes de um frágil cessar-fogo a 27 de novembro.

2026: Hezbollah arrasta o Líbano para a guerra: O Hezbollah envolveu o Líbano na guerra regional ao reivindicar, a 02 de março, um ataque contra Israel para vingar o guia supremo iraniano, Ali Khamenei.

O ‘ayatollah’ que liderava a República Islâmica do Irão desde 1989 e a quem sucedeu o filho, Mojtaba Khamenei, foi morto em 28 de fevereiro, nas primeiras horas da operação israelo-americana contra o Irão.

Israel ripostou aos disparos do Hezbollah com ataques aéreos e anunciou hoje “operações terrestres limitadas e direcionadas” no sul do Líbano.

Até à data, mais de 850 pessoas morreram e mais de 800.000 foram deslocadas no país.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou Beirute na sexta-feira e no sábado em solidariedade para com o povo libanês, que disse ter sido arrastado para a guerra sem o desejar.

Guterres apelou às partes beligerantes para que parassem com a guerra e optassem pela diplomacia e as negociações para revolver o conflito.

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