Portugal

Rui entrou num carro de “alguém conhecido” e nunca mais voltou. 27 anos depois surgiram bilhetes anónimos, telefonemas e pista sobre rede de pedofilia

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 13-03-2026

Imagem: DR

Rui Pereira desapareceu de Famalicão em 1999, quase exatamente um ano depois do desaparecimento de Rui Pedro, em Lousada. Brincava num parque junto ao bairro onde vivia.

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A família acredita que foi levado por alguém conhecido. Pistas surgiram até na Suíça, mas o mistério permanece.

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Os únicos factos que constam do processo referem apenas que, na tarde de 2 de março, Rui brincava com um amigo no parque quando foi chamado pelo condutor de um automóvel, onde entrou. A partir desse momento nunca mais ninguém o viu.

Em 2007, a família recebeu uma pista que indicava que o jovem estava na suíça, no entanto, a Polícia Judiciária não encontrou rasto do jovem.

Até hoje, Laurinda Meira, a mãe de rui, sonha com o dia que o filho lhe aparece em casa, revela numa entrevista ao programa Júlia.

Há 27 anos que Rui Pereira, então com 13 anos, desapareceu sem deixar rasto. Desde então, nunca mais foi visto. A irmã de Rui, contou em 2021 à TVI, que continua convencida que “foi uma pessoa que ele conhecia.” A família mantém viva a ideia de que Rui não teria ido com um estranho. Esse sentimento, partilhado pelos pais, sustenta a esperança de que o filho possa ainda estar vivo e de que, um dia, volte a casa.

Nos primeiros dias após o desaparecimento, a Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas na zona e alargou a investigação. Foram emitidos alertas, partilhadas fotografias e solicitado o apoio da Interpol. No entanto, nenhum dado concreto foi recolhido.

Pouco tempo depois, a família foi alvo de um bilhete anónimo a pedir dinheiro em troca de informações. Seguiu-se um telefonema, alegando que Rui estaria numa vila no norte de França, envolvido numa rede de pedofilia. A PJ chegou a investigar a localidade de Poix Grandville, perto de Amiens, mas a resposta das autoridades francesas foi clara: “Não existem pistas sobre o paradeiro de Rui naquela área.”

Durante três anos, não surgiu qualquer outro indício. Até que, em 2002, um emigrante português na Suíça afirmou ter visto Rui num salão de jogos em Lugano. O rapaz, segundo contou à polícia, teria dito em português que era de Famalicão e que tinha sido levado enquanto brincava no jardim.

A PJ reabriu o inquérito e enviou inspetores à Suíça em 2003. Procuraram nos bares e salões da zona, ouviram testemunhos, mas a pista esfumou-se. As informações eram vagas, contraditórias e sem sustentação. O relatório oficial concluiu que não havia elementos sólidos para localizar o menor.

Em 2004, um novo alerta no Algarve, e em 2007, novamente na Suíça, fizeram renascer a esperança. José Lages, motorista de autocarros em Lausanne, ouviu uma conversa num café em Lugano: um jovem dizia que também tinha sido raptado, que era de Famalicão e que ninguém o procurava.

Apesar de as descrições não coincidirem totalmente, a família voltou a acreditar. Mas mais uma vez, a falta de dados concretos impediu qualquer avanço.

Hoje, Rui Pereira teria 40 anos. O seu desaparecimento continua a ser um dos mais inquietantes casos por resolver em Portugal. A dor da ausência mantém-se viva, assim como a desilusão com o que a família considera ter sido uma investigação falhada e marcada por inércia.

Entre a esperança e o vazio, os pais e irmãos de Rui continuam à espera de respostas. E, acima de tudo, de um reencontro que teimam em acreditar que ainda pode acontecer.

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