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Grão-de-bico poderá tornar-se no primeiro alimento cultivado na Lua

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 4 horas atrás em 12-03-2026

Imagem: depositphotos.com

Investigadores norte‑americanos conseguiram cultivar e colher grão‑de‑bico em solo lunar simulado — um avanço importante na preparação de futuras missões tripuladas ao satélite natural da Terra.

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Cientistas da University of Texas at Austin, em colaboração com a Texas A&M University, revelaram que é possível cultivar grão‑de‑bico em “terra lunar” artificial, criando um cultivo viável mesmo em condições extremamente adversas e sem solo como o que existe na Terra. Este experimento, publicado na revista Scientific Reports, representa um passo significativo rumo à produção de alimentos diretamente na superfície da Lua.

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O regolito lunar — o material poeirento e rochoso que recobre a Lua — tem um enorme potencial nutritivo, mas não contém matéria orgânica nem microrganismos que as plantas precisam para crescer. Além disso, a presença de metais pesados torna o ambiente hostil ao desenvolvimento vegetal.

Para ultrapassar estas limitações, os investigadores misturaram esse solo simulado com vermicomposto — um composto rico em nutrientes produzido por minhocas que decompõem resíduos orgânicos. O vermicomposto não só fornece nutrientes essenciais às plantas como também um microbioma favorável ao seu crescimento.

Antes da semente ser plantada, foi ainda aplicada uma camada de fungos micorrízicos arbusculares, que formam relações simbióticas com as plantas: ajudam‑nas a absorver nutrientes e reduzem a absorção de metais pesados.

O resultado foi promissor: o grão‑de‑bico cresceu em mistura de solo lunar simulado com até 75 % de regolito — embora, acima dessa percentagem, as plantas começassem a sofrer e morrer mais cedo. A presença dos fungos também permitiu que as plantas sobrevivessem por mais tempo em condições difíceis, evidenciando a importância deste apoio biológico.

Apesar do sucesso inicial, os cientistas alertam que há ainda questões cruciais por responder, nomeadamente em termos de segurança alimentar: é necessário confirmar se os grãos absorvem metais tóxicos e se são seguros para consumo pelos astronautas.

Os investigadores querem saber se estes grãos oferecem nutrientes suficientes para sustentar as necessidades alimentares em missões de longa duração.

Jessica Atkin, investigadora da Texas A&M University e co‑autora do estudo, salienta a importância destes próximos passos: “Queremos compreender a viabilidade desta cultura como fonte de alimento real — o quão saudável é, e se pode ser nutritiva para os astronautas em futuras missões.”

O trabalho foi iniciado com financiamento dos próprios investigadores e recebeu posteriormente apoio adicional através de uma bolsa da NASA FINESST, que permitirá aprofundar estas investigações sobre cultivo de alimentos fora da Terra.

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