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Empresas em Portugal enfrentam mais de 2.000 ciberataques por semana

Notícias de Coimbra | 3 horas atrás em 12-03-2026

As organizações em Portugal enfrentam uma média de 2 086 ciberataques por semana, refletindo a crescente pressão do cibercrime a nível global. Os dados mais recentes da Check Point® Software Technologies Ltd. (NASDAQ: CHKP), líder global em soluções de cibersegurança, divulgados pela divisão de inteligência de ameaças Check Point Research, revelam que o volume médio de ataques por organização continua próximo de níveis históricos, confirmando que as empresas operam atualmente num ambiente digital de risco permanente.

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Segundo o relatório, o número médio de ciberataques por organização atingiu 2.086 ataques semanais em fevereiro de 2026, o que representa um aumento de 9,6% face ao mesmo período de 2025, mantendo se praticamente estável em relação a janeiro deste ano.

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Os resultados confirmam uma tendência estrutural no panorama global de cibersegurança, em que os ataques deixam de ocorrer apenas em picos ocasionais e passam a representar uma pressão constante sobre organizações em todos os setores e regiões.

Mesmo com uma redução registada nos incidentes de ransomware, os volumes de ataques permaneceram elevados devido a vários fatores, incluindo a automação das campanhas maliciosas, a expansão das infraestruturas digitais e novos riscos associados à utilização crescente de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, GenAI.

Segundo os especialistas da Check Point Research, as organizações estão cada vez mais expostas a ameaças sofisticadas, com atacantes que recorrem a automação e inteligência artificial para lançar campanhas em larga escala e explorar vulnerabilidades com maior rapidez.

Este padrão demonstra que os ciberataques se encontram estabilizados num patamar historicamente elevado, o que significa que as organizações enfrentam um risco constante.

Os atacantes recorrem cada vez mais a ferramentas automatizadas, redes de bots e infraestruturas criminosas distribuídas, permitindo escalar ataques e atingir milhares de organizações em simultâneo.

Alguns setores continuam a ser particularmente visados pelos cibercriminosos devido ao valor dos dados que gerem e ao impacto potencial das interrupções operacionais.

As instituições de ensino mantêm se como os principais alvos devido ao elevado número de utilizadores e infraestruturas digitais abertas. Já os setores governamental e das telecomunicações representam infraestruturas críticas, o que os torna particularmente atrativos para campanhas de espionagem, sabotagem ou extorsão.

A análise regional demonstra que os ciberataques continuam a crescer tanto em economias emergentes como em mercados mais desenvolvidos.

A América Latina lidera o volume médio de ataques, refletindo a rápida digitalização da região. A Europa e a América do Norte continuam igualmente sob forte pressão devido à elevada densidade tecnológica e ao valor económico das organizações.

A adoção crescente de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa está a criar novos desafios de segurança dentro das organizações.

Esta fragmentação de ferramentas e a ausência de políticas claras de governação aumentam o risco de exposição de dados sensíveis, incluindo informação interna, credenciais ou propriedade intelectual.
Ransomware diminui, mas continua a ser uma ameaça crítica. Em fevereiro de 2026 foram registados 629 ataques de ransomware divulgados publicamente, o que representa uma redução de 32% face ao mesmo período de 2025.

Contudo, os especialistas alertam que esta redução está parcialmente associada a uma campanha excecional conduzida pelo grupo Clop no ano anterior. Excluindo esse evento, os níveis de atividade mantêm se relativamente consistentes. Os dados da Check Point Research indicam que Portugal acompanha a tendência europeia de aumento da atividade maliciosa, mesmo que um volume médio de ataques muito acima da média europeia, com as organizações nacionais a enfrentarem uma média de 2.086 ataques por semana. Este número significa que uma organização portuguesa pode enfrentar milhares de tentativas de intrusão ao longo de cada mês, incluindo ataques automatizados, exploração de vulnerabilidades, phishing e campanhas de malware.

Embora o crescimento anual seja relativamente moderado, os especialistas alertam que a estabilidade deste número indica que o país se encontra num nível persistente de exposição a ameaças cibernéticas.

Tal como acontece a nível internacional, alguns setores apresentam maior exposição ao risco devido à sensibilidade dos dados ou ao papel estratégico que desempenham na economia.

Estes setores representam infraestruturas essenciais para o funcionamento da sociedade, o que aumenta o impacto potencial de incidentes de segurança.

A crescente utilização de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa por empresas portuguesas pode introduzir novos riscos de segurança quando não existem políticas claras de governação e proteção de dados.

Entre os principais riscos identificados encontram-se: exposição involuntária de informação interna em prompts, partilha acidental de documentos empresariais com plataformas externas, fuga de credenciais ou dados sensíveis e divulgação de propriedade intelectual.

À medida que as organizações adotam estas tecnologias para aumentar a produtividade, torna se essencial implementar mecanismos de controlo e monitorização adequados.

Face ao crescimento constante da atividade maliciosa, os especialistas defendem uma abordagem baseada em prevenção em primeiro lugar, combinando inteligência de ameaças em tempo real, proteção baseada em inteligência artificial e visibilidade integrada sobre redes, cloud, endpoints e utilizadores.
Num cenário em que os atacantes recorrem cada vez mais a automação e inteligência artificial, a capacidade de antecipar e bloquear ataques antes de causarem impacto tornou se um fator crítico para garantir a resiliência digital das organizações.

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