Cerca de 40 cidadãos concentraram-se hoje numa vigília de protesto à frente da Câmara de Coimbra contra os abates de árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo, criticando o município por falta de diálogo sobre o assunto.
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“Pedimos várias vezes, desde 17 de novembro, contacto, diálogo [com o novo executivo] e a resposta foi sempre o silêncio. […] Fomos fazendo denúncias junto da Câmara, queríamos explicações e nunca fomos contactados”, disse aos jornalistas Rosa Santos, uma das cidadãs que tem participado no movimento contra o abate de árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo, por causa da passagem do ‘metrobus’ (autocarros em via dedicada) naquela artéria do centro da cidade.
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O único contacto por parte do município liderado por Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN) aconteceu “40 minutos antes” da reunião do executivo do dia 02 em que a autarca anunciou que afinal seriam abatidas não 11, mas 20 árvores – o movimento contabiliza um total de 24 removidas -, afirmou Rosa Santos, recordando que os cidadãos saíram dessa reunião “chocados”.
“Essa reunião não foi uma reunião. Foi um esclarecimento, uma apresentação com ‘slides’ no salão nobre [do município]”, notou a cidadã que mora naquela rua visada pelos abates e que tem características que a tornam especial (as árvores têm as cores da cidade com tipuanas de flor amarela e jacarandás de flor roxa).
“Só tivemos silêncio da parte deste novo executivo”, lamentou, esperando que o diálogo possa ser “feito a partir de agora”.
Rosa Santos recordou que no diálogo com o anterior executivo haveria uma proposta à Infraestruturas de Portugal (IP) para desviar o canal do ‘metrobus’ em 1,3 metros, mas enquanto se esperava uma decisão, “as canalizações foram colocadas” e o desvio, neste momento, já só pode ser de 70 centímetros.
Para o futuro, o movimento espera que o município inclua as preocupações com o arvoredo urbano em cadernos de encargos de obras.
Rosa Santos recordou ainda que o grupo de cidadãos tinha chegado a propor uma só via de ‘metrobus’ com circulação alternada entre a estação da Praça da República e a estação do Jardim da Sereia, mas que foi rejeitada.
Já Miguel Dias, da organização ambientalista Climação Centro, admitiu que até “depositava alguma esperança” no novo executivo para uma “alteração na forma de proceder”.
“A conclusão que nós tiramos é que a única coisa que de facto aconteceu foi uma reunião entre o executivo e a IP e prevaleceu mais uma vez a vontade dos engenheiros da IP e pouco mais”, lamentou.
Presente na vigília, Jorge Gouveia Monteiro, do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) que integra a coligação encabeçada por Ana Abrunhosa, acusou o anterior executivo, liderado por José Manuel Silva, de “armadilhar” o processo e arrastá-lo para depois das eleições para um momento em que não se podia parar a obra.
Apesar da acusação, Jorge Gouveia Monteiro pediu desculpas aos cidadãos, em nome do CpC, por ter tido conhecimento do abate em dezembro e ter acordado com a presidente da Câmara de Coimbra que desse “imediatamente essa má notícia a todos os movimentos”.
“A Câmara não fez isso. Eu confiei que o fizesse”, disse, fazendo uma autocrítica ao CpC por ter confiado “excessivamente que a Câmara iria dar essa informação”, que acabou por ser apenas comunicada no início deste mês.
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