Região

Caldas de Penacova com perda de faturação de 6 milhões por acesso cortado há um mês

Notícias de Coimbra com Lusa | 3 minutos atrás em 10-03-2026

 A empresa Caldas de Penacova regista uma perda de faturação de cinco a seis milhões de euros, depois de estar há mais de um mês com acesso à unidade cortado, disse a administração, que espera retomar de forma parcial na próxima semana.

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Desde 05 de fevereiro que a produção daquela empresa situada no concelho de Penacova, distrito de Coimbra, está parada face ao corte do único acesso à unidade, provocado por um deslizamento de terras.

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Em declarações à agência Lusa, o administrador da empresa, Urbano Marques, afirmou que a paragem forçada durante “um mês e uma semana” terá levado a uma quebra de faturação de cinco a seis milhões de euros.

A empresa, com 96 trabalhadores, espera retomar a produção, de forma parcial, na próxima semana, após ficar concluída uma “reparação provisória” do acesso por parte da autarquia.

A reparação irá permitir apenas a circulação de veículos com metade da tonelagem dos camiões que asseguravam o transporte, disse Urbano Marques.

“Nós, normalmente, temos camiões que levam 24 toneladas e teremos de usar carrinhas que levarão cerca de dez a 12 toneladas. Mesmo com dez carrinhas em permanência, não vamos conseguir escoar aquilo que seria a produção normal”, notou o responsável, recordando que, no verão, chegam a sair da unidade 80 camiões por dia.

A solução passará pelo recurso a carrinhas de menor dimensão que irão escoar as paletes de garrafas de água para um armazém da empresa em Mortágua, onde as cargas serão postas em camiões, disse.

Segundo Urbano Marques, durante duas semanas, a empresa ainda conseguiu alimentar os clientes com paletes que tinham em Mortágua, mas desde então que está sem conseguir dar resposta a encomendas.

Apesar da paragem na produção e ainda sem solução definitiva para o acesso, a Caldas de Penacova optou por não recorrer ao lay-off dos trabalhadores.

“Lay-off não, obrigado. Procurámos outras alternativas e ajudas, como a redução de impostos, mas decidimos não ir para o lay-off porque íamos penalizar a empresa e os trabalhadores, que não têm culpa nenhuma”, vincou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, referiu que só a partir de meados da semana passada “é que houve condições para começar a intervir na encosta que deslizou parcialmente”.

A partir dessa altura, foi possível arrancar com trabalhos de retirada de terra da parte superior da estrada, “para aliviar o peso da encosta”, esperando em breve avançar com a reparação parcial do acesso à fábrica, afirmou, aclarando que a intervenção tem um custo de 30 a 40 mil euros para o município.

“Só há condições para repor uma faixa da estrada, por razões de segurança”, disse, referindo que será necessário avançar com estudos geotécnicos para uma intervenção mais estrutural.

Entretanto, a autarquia pediu um estudo ao Itecons (Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade), que apresentou como solução definitiva a construção de um acesso em viaduto, que teria um custo de quatro milhões de euros.

“É uma verba que a Câmara não tem. A nossa expectativa é a de que possam surgir verbas [no âmbito dos apoios pós-tempestades] para reparação de infraestruturas que possam ser aplicadas nesta estrada, que é municipal e tem uma função muito importante”, disse Álvaro Coimbra.

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