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Um terço da geração Z acha que a mulher deve obedecer ao marido

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 10-03-2026

Imagem: depositphotos.com

Uma nova pesquisa global realizada pela Ipsos em parceria com o Global Institute for Women’s Leadership do King’s College London revela que uma parte significativa dos homens mais jovens mantém opiniões tradicionais sobre os papéis de género num relacionamento — apesar das expectativas de maior igualdade para as gerações mais novas.

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O estudo, que entrevistou mais de 23 000 pessoas em 29 países, mostra que 31 % dos homens da Geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — concordam com a afirmação de que “uma esposa deve sempre obedecer ao marido”. Este número é mais do dobro do registado entre homens da geração dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964), em que apenas 13 % concordam com essa ideia.

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O levantamento foi divulgado por ocasião do Dia Internacional da Mulher de 2026 e aponta para um ressurgimento de atitudes mais conservadoras entre alguns jovens adultos, em particular no que diz respeito aos papéis de género dentro de casa.

Além da questão da obediência, o estudo mostra que cerca de um terço dos homens jovens também acredita que o marido deve ter a “palavra final” em decisões importantes no casal — uma visão menos comum nas gerações mais velhas.

Embora estes números chamem à atenção no contexto de expectativas de igualdade de género, as respostas variam significativamente quando se analisa por género: apenas 18 % das mulheres da Geração Z concordam que uma esposa deve obedecer ao marido, um valor inferior ao dos homens jovens e também abaixo das percentagens observadas em gerações anteriores.

Especialistas envolvidos no estudo sugerem que o retorno de visões tradicionais pode estar ligado a vários fatores, incluindo influências culturais, pressão social e conteúdos vistos nas redes sociais, que muitas vezes recompensam mensagens extremadas ou nostálgicas sobre papéis de género.

Segundo Kelly Beaver, CEO da Ipsos no Reino Unido e Irlanda, “a Geração Z é o grupo que mais frequentemente acha mulheres com carreiras de sucesso atraentes – mas, ao mesmo tempo, são os que mais pensam que uma mulher deve obedecer ao marido e não parecer demasiado independente.”

O relatório destaca ainda que estes resultados não significam necessariamente que todos os homens da Geração Z defendam relações desiguais, antes que existe uma divergência entre as crenças pessoais e aquilo que muitos acreditam que a sociedade espera deles.

Os investigadores defendem que estes dados podem contribuir para um debate mais profundo sobre como os papéis de género estão a ser renegociados nas sociedades contemporâneas, incluindo as expectativas e pressões que influenciam atitudes e comportamentos das gerações mais jovens.

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