Justiça

Diogo abriu a porta e entrou num plano de morte. Pai ainda espera 260 mil euros de indemnização

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 10-03-2026

Imagem: DR

A enfermeira Mariana Fonseca, condenada pela morte de Diogo Gonçalves, foi detida em Jacarta, na Indonésia, após vários meses em fuga.

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A captura ocorreu depois da Polícia Judiciária seguir o rasto durante uma viagem que incluiu férias na Tailândia. O caso remonta a 20 de março de 2020, nos primeiros dias de confinamento devido à pandemia de Covid-19. Nesse dia, Diogo Gonçalves abriu a porta de casa, em Algoz, acreditando receber alguém de confiança. O encontro fazia parte de um plano de morte alegadamente arquitetado por Mariana Fonseca e pela então namorada Maria Malveiro.

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Segundo a investigação, as duas mulheres pretendiam apropriar-se de cerca de 70 mil euros que Diogo Gonçalves recebera após a morte da mãe, em 2016, vítima de atropelamento. O crime chocou o país: o jovem foi assassinado e posteriormente esquartejado.

Maria Malveiro foi condenada a 25 anos de prisão. No entanto, em 2021 foi encontrada morta na cela que partilhava com outras reclusas. As autoridades concluíram tratar-se de suicídio por enforcamento. Tinha apenas 20 anos e trabalhava como segurança.

Já Mariana Fonseca acabou condenada posteriormente a 23 anos de prisão. No julgamento realizado a fevereiro de 2021, tentou afastar responsabilidades diretas pelo homicídio. Admitiu ter ajudado a limpar a casa e a esconder o corpo, mas negou ter participado na morte ou no desmembramento do cadáver.

Apesar da condenação, a enfermeira acabou por fugir e permaneceu vários meses no estrangeiro, trabalhando clandestinamente em cafés e restaurantes.

Após a detenção em Jacarta, Mariana Fonseca deverá ser apresentada às autoridades judiciais indonésias no âmbito de um processo de deportação. Como entrou no país com visto de turista e trabalhava ilegalmente, será tratada como imigrante irregular, já que a Indonésia não possui acordo de extradição com Portugal.

Concluído o processo, deverá viajar para Lisboa, acompanhada por autoridades indonésias ou pela Polícia Judiciária, sendo detida à chegada ao aeroporto. Inicialmente ficará novamente na prisão de Tires, onde já esteve detida anteriormente.

Segundo o Correio da Manhã, no processo ficou também determinada uma indemnização de cerca de 260 mil euros ao pai de Diogo Gonçalves, por danos morais e patrimoniais. O montante nunca foi pago e o Estado também não adiantou a compensação.

A detenção em Jacarta coloca agora fim a meses de fuga da enfermeira portuguesa.

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