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É engenheira alimentar e tornou-se uma das queijeiras mais jovens da Serra da Estrela

Notícias de Coimbra | 19 minutos atrás em 07-03-2026

A tradição do queijo Serra da Estrela volta a estar em destaque em Oliveira do Hospital, onde decorre até este domingo aquela que é considerada a maior feira dedicada ao “rei dos queijos”.

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O evento reúne cerca de 250 expositores num espaço preparado para receber milhares de visitantes que procuram provar — e celebrar — um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia portuguesa.

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Entre bancas repletas de queijos amanteigados, curados e envelhecidos, há também histórias que mostram como esta tradição continua viva. Uma delas é a de Ana Ferreira, uma das queijeiras mais jovens da região.

Hoje tem 36 anos, mas começou a destacar-se ainda mais cedo neste mundo. “Na altura da da entrevista para o livro Queijeiras — As Guardiãs da Montanha tinha 32 anos. Agora já tenho mais uns aninhos”, conta com um sorriso. Mesmo assim, continua a ser uma das produtoras mais novas neste território da Serra da Estrela. “Acho que ainda sou a queijeira mais nova daqui.”

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a sua ligação ao queijo não nasceu numa tradição familiar. Não houve avós nem mães a transmitir o saber antigo.

“Não há essa história. Não venho de uma família de queijeiras”, explica.
O caminho começou de outra forma. Ana formou-se em Engenharia Alimentar e foi durante um estágio numa queijaria que tudo mudou.

“Tirei o curso de engenharia alimentar, estagiei numa queijaria e a partir daí nunca mais consegui fugir ao queijo.”

Apesar de ter passado por outras áreas, o regresso acabou por ser inevitável. Hoje tem a sua própria marca há cerca de quatro anos e dedica-se inteiramente à produção de queijo Serra da Estrela.

Na banca da feira, Ana apresenta vários tipos de queijo produzidos na sua queijaria. O mais procurado continua a ser o clássico amanteigado Serra da Estrela DOP, mas há outras propostas que também despertam curiosidade.

“Temos o DOP amanteigado, que é o mais conhecido. Depois temos o curado barrado com pimentão e orégãos por fora. E este ano trouxemos também uma novidade.”

A novidade é o Serra da Estrela velho, um queijo com cerca de oito meses a um ano de cura, que estreia na produção da queijaria.

Quando se fala de qualidade, Ana não tem dúvidas sobre o que faz a diferença. “O segredo é um bom leite, de ovelha bordaleira, um bom cardo… e depois o resto acontece.”

Segundo explica, quando existe dedicação ao processo, o resultado surge naturalmente.

“Quando gostamos daquilo que fazemos, tudo acaba por sair bem.”
Apesar da paixão, Ana não esconde que o mundo da queijaria é exigente e cheio de desafios.

A sua queijaria fica na Bobadela, no concelho de Oliveira do Hospital.

Casos como o de Ana mostram que, mesmo numa atividade profundamente tradicional, há uma nova geração a assumir o futuro do queijo Serra da Estrela.

E muitas dessas histórias têm algo em comum: não nasceram apenas da tradição — nasceram do amor ao queijo.

“Eu gosto mesmo do que faço”, resume. “E isso é o mais importante.”

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