Portugal

Há 150 anos Portugal conheceu “a mãe de todas as cheias”

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 30 minutos atrás em 05-03-2026

Imagem: João Maia

O Convento de São Francisco, em Coimbra, ainda hoje guarda marcas de eventos passados que mostram a força da natureza.

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Durante as cheias de fevereiro, a Baixa da cidade foi inundada, levando muitos moradores a procurar refúgio no convento, recordando episódios semelhantes de 1876, quando Portugal enfrentou a histórica Grande Cheia, considerada “a mãe de todas as cheias”, descreve a National Geographic.

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Embora vivamos numa era em que a tecnologia promete prever e controlar quase tudo, a sucessão de tempestades de 2026 recordou-nos a vulnerabilidade humana perante fenómenos naturais. Mesmo com a consciência sobre as alterações climáticas e a importância da prevenção, as cheias continuam a ser parte da história portuguesa, moldando cidades e vilas há séculos.

A Grande Cheia ocorreu num contexto de erosão gradual dos solos, resultado de anos de seca e chuvas irregulares. No sul do país, rios como o Tejo e o Guadiana atingiram níveis impressionantes, provocando destruição generalizada.

No Algarve, o rio Guadiana inundou a vila de Alcoutim, submergindo casas e edifícios públicos, que só foram reconstruídos junto ao castelo, fora do alcance das cheias. Na fronteira espanhola, Sanlúcar de Guadiana ficou isolada, e a aldeia de Pomarão desapareceu completamente, restando apenas a mesa da estação telegráfica, arrastada pelas águas até Ayamonte. O complexo das Minas de São Domingos também ficou debaixo de água.

No Tejo, os estragos foram igualmente catastróficos. Em localidades como Vila Franca de Xira, Benavente, Abrantes e Almeirim, as águas subiram dezenas de metros, obrigando a população a refugiar-se nos pontos mais elevados. Relatos da época descrevem barcos a vapor transportando mantimentos e sobreviventes, e até cobras a refugiarem-se das enchentes, ilustrando a dimensão do desastre.

No Porto, o rio Douro inundou Miragaia, enquanto o Mondego submergiu toda a Baixa de Coimbra, forçando moradores a procurar abrigo no Convento de São Francisco. Rios menores, como o Vouga e o Sado, também se transformaram em verdadeiros oceanos, arrastando colheitas e infraestruturas.

A Grande Cheia de 1876 deixou marcas não apenas físicas, mas também culturais. Monumentos, santuários e medições de nível de água foram preservados para recordar os eventos extremos e orientar futuras reconstruções. O impacto histórico do episódio continua a servir de referência sempre que os portugueses enfrentam novas tempestades.

Como em 2026, estas lembranças reforçam que, apesar da tecnologia, a natureza mantém um poder imprevisível, lembrando-nos de que, no país dos rios, a história das cheias é também parte da história da própria sociedade.

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