Portugal
20% da produção nacional de resina em risco após tempestade. Setor aguarda resposta governamental
A Resipinus alertou para o impacto severo da tempestade que atingiu o país a 28 de janeiro, responsável por perdas significativas na produção nacional de resina natural e por um cenário de forte incerteza relativamente à campanha de 2026.
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De acordo com dados preliminares recolhidos no terreno, em articulação com proprietários florestais e resineiros, estima-se uma perda de cerca de 1.500 toneladas de resina, o que corresponde a aproximadamente 20% da produção nacional, com um impacto económico avaliado em cerca de dois milhões de euros.
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A tempestade terá ainda provocado a destruição ou comprometimento de cerca de 750 mil bicas, afetando aproximadamente 2.500 hectares de pinhal, colocando em risco cerca de 100 postos de trabalho diretamente associados à atividade.
Segundo a Resipinus, os danos registados comprometem seriamente a viabilidade da campanha de 2026 e colocam em causa a continuidade de uma atividade considerada essencial para a gestão ativa da floresta, a redução do risco de incêndio e a fixação de população no interior do país.
Setor aguarda decisão política
A associação participou recentemente numa auscultação setorial promovida pelo Governo, onde apresentou um conjunto de propostas técnicas e exequíveis com vista à mitigação dos impactos da tempestade e à salvaguarda da atividade. Apesar de essas propostas terem sido formalmente enviadas no início de fevereiro, o setor afirma continuar sem resposta por parte do executivo.
A Resipinus sublinha que os resineiros são agentes conhecedores do território, com capacidade para apoiar a abertura de acessos florestais e a vigilância fitossanitária, mas alerta para a necessidade de uma decisão política célere que permita enquadrar essa intervenção.
Entre as principais medidas defendidas estão a simplificação do reporte de prejuízos, ajustada às especificidades da resinagem, a operacionalização urgente dos meios adquiridos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a monitorização fitossanitária com envolvimento direto dos resineiros, a cedência de matas públicas a produtores afetados, a criação de apoios extraordinários que garantam a subsistência dos operadores e a continuidade da campanha de 2026, bem como a definição de um plano de reflorestação de médio e longo prazo.
Setor estratégico em risco
Portugal foi historicamente um dos maiores produtores mundiais de resina natural e, atualmente, este setor é considerado um pilar da bioeconomia nacional, com um papel relevante na substituição de matérias-primas de origem fóssil. Para a Resipinus, a quebra na produção não representa apenas um prejuízo económico imediato, mas um retrocesso que agrava a dependência externa do país e fragiliza uma fileira com forte relevância económica, ambiental e social, especialmente nas regiões do interior.
A associação recorda que a ausência de respostas rápidas após catástrofes anteriores, como os grandes incêndios, agravou perdas que poderiam ter sido mitigadas, alertando que “cada semana conta” para evitar um cenário semelhante.
Apelo à ação imediata
A Resipinus reafirma a sua total disponibilidade para colaborar tecnicamente com o Governo e com as entidades competentes, defendendo que é fundamental assegurar a viabilidade da próxima campanha e garantir a sustentabilidade de uma atividade essencial para a resiliência das florestas portuguesas.
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