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Portral interessada em adquirir insolvente Sicasal

Notícias de Coimbra com Lusa | 8 minutos atrás em 04-03-2026

A Portral, indústria de carnes localizada no concelho de Sintra, está interessada em adquirir a Sicasal, empresa que se encontra em processo de insolvência desde 6 de janeiro, disse à Lusa o administrador da insolvência, Jorge Calvete.

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A existência de um investidor interessado levou os credores da Sicasal a mandatarem Jorge Calvete para apresentar, no prazo de 60 dias, um plano de insolvência da empresa de carnes sediada no concelho de Mafra.

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A proposta foi aprovada por unanimidade, durante uma assembleia de credores ocorrida esta quarta-feira, no Juízo de Comércio do Tribunal de Sintra, e teve a concordância do acionista da Sicasal, Álvaro dos Santos da Silva. O plano de insolvência que vai ser elaborado por Jorge Calvete deverá propor a recuperação ou a liquidação da Sicasal, sendo que, neste último caso, a liquidação poderá configurar a transmissão do estabelecimento a um novo investidor.

“Depende da vontade do eventual investidor”, explicou o administrador da insolvência à Lusa, referindo que a Portral atua na mesma área de negócio e é um dos maiores clientes da Sicasal. Para elaborar o plano, Jorge Calvete pediu honorários de 25 mil euros, a que acresce uma remuneração mensal de sete mil euros para gerir a Sicasal até à conclusão do processo da insolvência.

A proposta dos honorários para a elaboração do plano foi aprovada com a abstenção dos credores Segurança Social, Novobanco, CGD e Abanca. Já a proposta da remuneração mensal foi aprovada com a abstenção da Segurança Social. No início da assembleia de credores, o juiz Domingos Mira anunciou o envio ao DIAP de Sintra de uma certidão para abertura de um inquérito criminal ao paradeiro de “veículos da empresa não localizados” pelo administrador da insolvência.

A presidente da comissão de credores, em representação do BCP, questionou o administrador da insolvência sobre se a existência de uma dívida incobrável da empresa angolana Led à Sicasal, no valor de sete milhões de euros, estava ou não diretamente relacionada com a anterior administração, ao que Jorge Calvete respondeu afirmativamente.

A Sicasal, que retomou a produção depois de uma pausa de quatro meses, iniciou entretanto o despedimento coletivo de 20 dos cerca de 250 funcionários da empresa. O diretor-geral, Jorge Pena, disse à Lusa que os funcionários abrangidos são sobretudo motoristas, vendedores e quadros da área ambiental.

A retoma da produção na Sicasal, ocorrida em fevereiro, tornou-se possível com o adiantamento de dois milhões de euros efetuado por um cliente que encomendou produto para exportação para Angola. A empresa está atualmente a produzir e a embalar salsichas, chouriços e fiambre em lata.

A entrada desse adiantamento na empresa permitiu pagar os salários de janeiro e fevereiro à totalidade dos trabalhadores, embora a produção tenha sido retomada com apenas cerca de metade do quadro de pessoal. Por liquidar, estão ainda os salários de novembro, de dezembro e o subsídio de Natal.

A Sicasal é um dos maiores empregadores do concelho de Mafra. A idade média dos seus cerca de 250 trabalhadores, alguns deles formando casais, está próxima dos 50 anos e a antiguidade média ronda os 20 anos. O novo plano fabril aponta para uma produção de 500 toneladas mensais, o que corresponde a apenas um quarto da capacidade total.

Com prejuízos de 11 milhões de euros em 2024, a dívida da Sicasal aos credores ascendia a 37 milhões, dos quais 22,4 milhões a bancos – BCP (11,6 milhões), Caixa Geral de Depósitos (4 milhões), Novobanco (3,6 milhões), Abanca (2,5 milhões) – e 9,4 milhões a fornecedores. Em dezembro, o BCP, o maior credor, pediu a insolvência da Sicasal, tendo esta sido decretada em 06 de janeiro pelo Tribunal de Lisboa Oeste.

O futuro da empresa, que poderá passar pela venda do capital a novos acionistas, deverá ser decidido numa nova assembleia de credores a decorrer no prazo de cerca de 90 dias.

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