Política

Governo está a trabalhar para que não se repita uma tragédia como a de Entre-os-Rios

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 hora atrás em 04-03-2026

O ministro das Infraestruturas e da Habitação assegurou hoje que o Governo está a trabalhar para que não se repita uma tragédia como a ocorrida há 25 anos, com a queda da ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva.

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“Hoje viemos homenagear as vítimas e as famílias, mas não queremos que isto se repita. Nós, enquanto governantes (…), temos que nos responsabilizar e corresponsabilizar por garantir que não mais, no futuro, volte a acontecer uma tragédia como aquela que aconteceu aqui”, disse Miguel Pinto Luz.

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O governante falava aos jornalistas em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, no final da sessão solene do 25.º aniversário da queda da ponte Hintze Ribeiro, uma das maiores tragédias rodoviárias em Portugal que resultou em 59 mortos.

No seu discurso, o ministro disse que a tragédia de Entre-os-Rios deixou uma lição para quem hoje governa, sublinhando que, por mais sólidas que pareçam as infraestruturas, “nada substitui a sua minuciosa e exigente inspeção”.

“Não pode haver infraestruturas em risco. Não pode haver imprevidência injustificada. Não pode haver qualquer desinteresse por esses bens maiores que são a vida e a integridade física dos cidadãos”, afirmou o ministro, realçando que o Estado não pode falhar como falhou há 25 anos.

Para que esta tragédia não se repita, Miguel Pinto Luz recordou que o Governo lançou um desafio ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil para, no prazo de um ano, apresentar um relatório exaustivo de tudo aquilo que são as pontes, as infraestruturas, os taludes, os muros de contenção, tudo aquilo que são infraestruturas absolutamente críticas.

Apesar desta avaliação independente, o governante tranquilizou os portugueses, adiantando que as Infraestruturas de Portugal e os concessionários das autoestradas fazem uma monitorização permanente das infraestruturas.

Na mesma altura, o ministro anunciou o lançamento do concurso público para a construção da fase final do IC35 entre que irá ligar Penafiel a Castelo de Paiva, num investimento de 91 milhões de euros, cumprindo assim uma das promessas feitas há 25 anos pelo Governo de António Guterres.

Dos 12 quilómetros previstos desta via, apenas foi construído o troço entre Penafiel e Rans, faltando fazer o troço que irá lugar Rans a Entre-os-Rios, o que levou o ministro das Infraestruturas a dizer que o Estado falhou duplamente.

“O Estado falhou na não monitorização daquela ponte, e por isso tivemos as vítimas, tivemos a tragédia, mas depois falhou quando se comprometeu com as populações e com a população de Castelo de Paiva, com os paivenses, em fazer um conjunto de infraestruturas que eram de enorme justiça”, referiu.

O governante disse que o Governo tem de ser uma pessoa de bem e cumprir a palavra dada, prometendo que não descansará enquanto não vir as máquinas no terreno.

“Eu próprio quero ver as máquinas no terreno e quero ver a obra acontecer. E aí, podemos dizer que o contrato social que celebrámos com os paivenses teve um compromisso garantido. E só aí. (…) Não descansarei enquanto as obras não estiverem no terreno”, afirmou.

Relativamente à variante à Estrada Nacional (EN) 222, outra das promessas feitas após a queda da ponte, Pinto Luz referiu que a obra já está adjudicada e deverá ser consignada em junho.

Na mesma ocasião, o presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Ricardo Cardoso, saudou o empenho do ministro no avanço destas obras, adiantando que, 25 anos depois, está finalmente próxima a concretização destas promessas há muito aguardadas pela população.

“Estas infraestruturas não são apenas estradas. São instrumentos de coesão territorial, são fatores de desenvolvimento económico, são condições de segurança, são oportunidades para fixar população, atrair investimento e criar emprego”, sublinhou o autarca, para quem estas promessas só ganharão plena credibilidade aos olhos da população quando se transformarem em obras visíveis no terreno.

A Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, distrito do Porto, e Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, colapsou na noite de 04 de março de 2001, arrastando para as águas do rio Douro um autocarro onde seguiam 53 passageiros e três automóveis com seis pessoas. Não houve sobreviventes.

As cerimónias oficiais para assinalar a data incluem uma missa de homenagem às vítimas, o lançamento de flores à hora do acidente, junto ao rio Douro, e a inauguração de um memorial (25 anos) nas freguesias envolvidas.

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