Política

Conselho Nacional do PSD analisa situação política e deve aprovar código ético

Notícias de Coimbra com Lusa | 4 horas atrás em 04-03-2026

O Conselho Nacional do PSD reúne-se hoje pela primeira vez este ano, após uma derrota política nas presidenciais, uma sucessão de tempestades no país e várias intervenções críticas do ex-líder do partido Pedro Passos Coelho.

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A reunião do órgão máximo do PSD entre congressos, marcada para as 21:00 no Centro de Congressos de Lisboa, realiza-se também quando está em curso uma nova guerra no Médio Oriente e poucos dias depois de eleições internas para os órgãos locais do partido, marcadas pela continuidade, mas com uma derrota dos candidatos próximos da direção na poderosa distrital de Braga e na simbólica concelhia de Espinho.

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Além da análise da situação política, os conselheiros nacionais terão ainda de votar dois regulamentos previstos nos estatutos aprovados em outubro de 2024: um que abre a possibilidade de militar no partido em secções temáticas (em vez de por área territorial) e outro que cria um código ético que impõe regras aos militantes do PSD “no exercício de quaisquer cargos”, internos e externos, e através do qual se comprometem a não usufruir de “quaisquer vantagens financeiras”.

O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, chega a este primeiro Conselho Nacional de 2026 com a primeira baixa no Governo ao fim de dez meses, na sequência das tempestades que causaram 18 mortes e levaram o executivo a lançar o programa Portugal Transformação Recuperação Resiliência (PTRR), com medidas de curto, médio e longo prazo e um horizonte para lá da atual legislatura.

No meio da crise, Maria Lúcia Amaral demitiu-se do Ministério da Administração Interna invocando falta de condições pessoais e políticas, tendo sido substituída por Luís Neves, até então diretor nacional da Polícia Judiciária.

A escolha foi bem recebida pela maioria dos partidos e veio do antigo primeiro-ministro do PSD Passos Coelho uma das maiores críticas, dizendo que esta passagem direta abria “um precedente grave”.

Nas últimas semanas, multiplicaram-se as intervenções de Passos Coelho, com várias críticas ao Governo, incluindo que deveria aproveitar a atual maioria numérica de direita para fazer reformas e lamentando que não tenha sido tentado um acordo com Chega e IL para a legislatura.

O número e o tom das intervenções levaram a direção do PSD a reagir, com o secretário-geral Hugo Soares a acusar Passos de ter dado “tiros ao lado”, e Montenegro a limitar-se a dizer que não iria contribuir para este “enredo, por mais pitoresco que seja”.

Na análise da situação política, poderá caber ainda um balanço das presidenciais, em que o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes, ficou em quinto lugar com cerca de 11% dos votos e não passou à segunda volta, disputada entre o antigo secretário-geral do PS António José Seguro – que venceu com mais de 66% dos votos – e o líder do Chega André Ventura.

Para a segunda volta, o presidente do PSD, Luís Montenegro, não deu indicação de voto em nenhum dos candidatos por considerar que o espaço político do seu partido não estava representado.

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